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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O que é um Poustinik?



 Poustinik é um termo russo usado para uma pessoa que vive como eremita, esse eremita pode viver num campo ou numa cidade num vale ou numa montanha, numa comunidade religiosa ou solitariamente entre os homens, mas sem ser percebido pois um eremita não chama a atenção sobre si mesmo, pois o ideal dele não é fazer propaganda de sua escolha, de sua vocação, mas o ideal do eremita é viver somente para Deus e com Deus, o lugar em que ele vai viver não é importante , o importante é que ele viva realmente como um eremita, ou seja escondido aos olhos do mundo, mas presente aos olhos de Deus.
Como disse São Francisco "O irmão corpo é nossa cela e a alma é o eremita que mora dentro da cela para orar a Deus e meditar. Portanto , se a alma não ficar em paz e solidão na sua cela, nenhum muro a separará do barulho do mundo"
"Na conversão e na calma estará vossa salvação, na tranquilidade e confiança estará vossa força". IS 30,15
VIVER NO SILENCIO NÃO É HABITAR EM UM MUNDO SEM RUIDOS,MAS É TER O CORAÇÃO PACIFICADO EM UM MUNDO CHEIO DE GRITOS. 
Fonte: poustiniky

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Adolescente comove Itália ao oferecer sua vida pela Igreja e pelo o Papa.



Em outubro de 2006, Carlo Acutis tinha 15 anos de idade e sua vida se apagou por uma agressiva leucemia.O adolescente, oriundo de Milão, comoveu familiares e amigos ao oferecer todos os sofrimentos de sua enfermidade pela Igreja e pelo Papa.
Seu testemunho de fé, que em alguns anos poderia valer o início de um processo de beatificação, sacode nestes dias a Itália, com a publicação de sua biografia.
“Eucaristia. Minha rodovia para o céu. Biografia de Carlo Acutis” é o título do livro escrito por Nicola Gori, um dos articulistas de L’Osservatore Romano, e publicado pelas Edições São Paulo.
Segundo os editores, Carlo “era um adolescente de nosso tempo, como muitos outros. esforçava-se na escola, entre os amigos, era um grande apaixonado por computadores. Ao mesmo tempo era um grande amigo de Jesus Cristo, participava da Eucaristia diariamente e se confiava à Virgem Maria. Morto aos 15 anos por uma leucemia fulminante, ofereceu sua vida pelo Papa e pela Igreja. Sua vida suscitou profunda admiração em quem o conheceu. O livro nasce do desejo de contar a todos sua simples e incrível historia humana e profundamente cristã”.
“Meu filho sendo pequeno, e sobre tudo depois de sua Primeira Comunhão, nunca faltou à celebração cotidiana da Santa Missa e do Terço, seguidos de um momento de Adoração Eucarística”, recorda Antonia Acutis, mãe de Carlo.
“Com esta intensa vida espiritual, Carlo viveu plena e generosamente seus quinze anos, deixando em quem o conheceu um profundo traço. Era um moço especialista em computadores, lia textos de engenharia informática e deixava a todos estupefatos, mas este dom o colocava a serviço do voluntariado e o utilizava para ajudar seus amigos”, adiciona.
“Sua grande generosidade o fazia interessar-se em todos: os estrangeiros, os portadores de necessidades especiais, as crianças, os mendigos. Estar próximo a Carlo era esta perto de uma fonte de água fresca”, assegura sua mãe.
Antonia recorda claramente que “pouco antes de morrer Carlo ofereceu seus sofrimentos pelo Papa e pela Igreja. Certamente o heroísmo com a qual confrontou sua enfermidade e sua morte convenceram a muitos que verdadeiramente era alguém especial. Quando o doutor que o acompanhava perguntava se sofria muito, Carlo respondeu: ‘Há gente que sofre muito mais que eu!”.
“Fama de santidade”
Francesca Consolini, postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, acredita que no caso de Carlo há elementos que poderiam levar a abertura de um processo de beatificação, quando se fizerem cinco anos de sua morte, como o pede a Igreja.
“Sua fé, singular em uma pessoa tão jovem, era poda e segura, levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros. Manifestou uma extraordinária atenção para o próximo: era sensível aos problemas e as situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto a ele e quem o encontrava dia a dia”, explicou Consolini.
Para a especialista, Carlo Acutis “tinha entendido o verdadeiro valor da vida como dom de Deus, como esforço, como resposta a dar ao Senhor Jesus dia a dia em simplicidade. Queria destacar que era um moço normal, alegre, sereno, sincero, voluntarioso, que amava a companhia, que gostava da amizade”.
Carlo “tinha compreendido o valor do encontro cotidiano com Jesus na Eucaristia, e era muito amado e procurado por seus companheiros e amigos por sua simpatia e vivacidade”, indicou.

“Depois de sua morte muitos sentiram a necessidade de escrever uma própria lembrança dele e outros comentaram que vão pedir sua intercessão em suas orações: isto fez com que sua figura seja vista com particular interesse” e em torno de sua lembrança está se desenvolvendo o que se chama “fama de santidade”, explicou.


Fonte: Blog Coração Inquieto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MARIA, MÃE DE DEUS

"Maria: a mulher que acolheu Jesus em si e o deu à luz para toda a a família humana"


A homilia de Bento XVI no primeiro dia do ano

CIDADE DO VATICANO, domingo, 01 de janeiro de 2012(ZENIT.org) - Apresentamos a Homilia do Santo Padre Bento XVI, proclamada neste primeiro domingo de 2012, na Basílica de São Pedro, durante a Missa da Solenidade de Maria Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz.
***
No primeiro dia do ano, a liturgia faz ressoar em toda a Igreja espalhada pelo mundo, uma antiga benção sacerdotal, que escutamos na primeira leitura. “O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer para ti a sua face e te dê a graça. O Senhor volte para ti o seu rosto e te conceda a paz” (Nm 6, 24-26). Essa benção foi confiada por Deus através de Moisés, a Araão e aos seus filhos, isto é, aos sacerdotes do povo de Israel. È um triplice desejo pleno de paz, que promana da repetição do nome de Deus, do Senhor e da imagem do seu rosto. De fato, para sermos abençoados precisamos estar na presença de Deus, receber sobre nós o seu Nome e permanecer no raio de luz que parte do seu rosto, no espaço iluminado pelo seu olhar, que difunde graça e paz.
Essa é a experiência feita pelos pastores de Belém, que aparecem ainda no Evangelho de hoje. Eles fizeram a experiência de estar na presença de Deus e da sua benção, não na sala de um majestoso palácio, na presença de um grande soberano, mas sim em um estábulo, diante de um menino colocado em uma manjedoura. Exatamente daquele Menino irradia uma nova luz, que resplandece no escuro da noite, como podemos ver em tantas pinturas que reproduzem a natividade de Cristo. É dEle que vem a benção: do seu nome – Jesus, que significa 'Deus Salva' - e do seu rosto humano, no qual Deus, o Onipotente Senhor do céu e da terra quis encarnar-se, esconder a sua glória sob o véu da nossa carne, para revelar-nos plenamente a sua bondade

A primeira a ser preenchida por essa benção foi Maria, a Virgem, esposa de José, que Deus escolheu desde o primeiro instante da sua existência para ser a mãe do seu Filho feito homem. Ela é a bendita entre as mulheres (Lc 1,42) – como a saúda Santa isabel. Toda a sua vida está na luz do Senhor, no raio da ação do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, o fruto bendito do seu ventre. Assim a apresenta o Evangelho de Lucas: toda disposta a guardar e meditar no seu coração todas as coisas referentes ao seu filho Jesus (cfr Lc 2, 19.51). O mistério da sua divina maternidade, que hoje celebramos, contém em medida superabundante aquele dom da graça que toda maternidade humana traz em si, tanto que a fecundidade do ventre sempre foi associada à benção de Deus. A Mãe de Deus é a primeira abençoada e é Ela que traz a benção, é a mulher que acolheu Jesus em si e o deu à luz para toda a a família humana. Como reza a Liturgia: “sempre intacta na sua glória virginal, irradiou sobre o mundo a luz eterna, Jesus Cristo nosso Senhor” (Prefácio da Beata Virgem maria 1)
Maria é mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a divina Palavra e se oferece a Deus como “terra boa” na qual Ele pode continuar a cumprir o seu mistério de salvação. Também a Igreja participa ao mistério da divina maternidade mediante a pregação, que espalha no mundo a semente do Evangelho e mediante os Sacramentos que comunicam aos homem a graça e a vida divina. Em particular no sacramento do Batismo, a Igreja vive essa maternidade, quando gera os filhos de Deus da água e do Espírito Santo, o qual em cada um exclama: “Abbá! Pai! (Gal 4,6). Como Maria, a Igreja é mediadora da benção de Deus para o mundo: a recebe acolhendo Jesus e a transmite levando Jesus. É Ele a misericórdia e a paz que o mundo por si não pode dar-se e da qual tem necessidade sempre, como ou mais que o pão.
Caros amigos, a paz, no seu sentido pleno e mais alto é a soma e a síntese de todas as bençãos. Por isto, quando duas pessoas amigas se encontram, se saúdam desejando reciprocamente a paz. Também a Igreja, no primeiro dia do ano invoca de modo especial esse bem supremo e o faz, como a Virgem Maria, mostrando a todos Jesus, porque como afirma o apóstolo Paulo, “Ele é a nossa paz” (Ef 2, 14) e ao mesmo tempo é a via através da qual os homens e os povos podem alcançar essa meta, a qual todos aspiramos. Levando, portanto, no coração este profundo desejo, tenho o prazer de acolher e saudar todos vocês, que no dia em que se celebra a XLV Jornada Mundial da Paz vieram à Basílica de São Pedro: os Senhor Cardeais, os embaixadores de tantos países amigos, que mais que nunca nesta ocasião, partilham comigo e com a Santa Sé a vontade de renovar o empenho pela promoção da paz no mundo; O presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, que com o secretário e os colaboradores trabalham em modo especial por esta finalidade; os outros prelados e autoridades presentes; os representantes de Associações e Movimentos eclesiais e todos vós, irmãos e irmãs, em particular aqueles que entre vós trabalham no campo da educação dos jovens. De fato – como sabeis – a prospectiva educativa é aquela que enfatizei na minha mensagem deste ano.
“Educar os jovens à justiça e à paz” é objetivo que compreende todas as gerações, e graças a Deus, a família humana, depois das tragédias das duas grandes guerras mundiais, mostrou-se cada vez mais consciente, como atestam, de uma parte, declarações de iniciativas internacionais, e de outra, a afirmação dos próprios jovens, nas últimas décadas, de tantas e diversas formas de empenho social neste campo. Para a comunidade eclesial educar à paz faz parte da missão recebida de Cristo, faz parte integrante da evangelização porque o Evangelho de Cristo também é Evangelho de Justiça e Paz. Mas a Igreja, nos últimos tempos, se fez intérprete de uma exigência que envolve todas as consciências mais sensíveis e responsáveis pelo futuro da humanidade: a exigência de responder a um desafio decisivo que é o desafio educativo. Por que “desafio”? Pelo menos por dois motivos: em primeiro lugar, porque na era atual, fortemente caracterizada pela mentalidade tecnológica, querer educar e não somente instruir é uma escolha; em segundo lugar, porque a cultura relativista coloca uma questão radical: tem sentido ainda educar? Educar para quê?
Naturalmente não podemos ir de encontro a essas questões a fundo, as quais procurei responder em outras ocasiões. Gostaria ao invés disso, destacar que, diante das sombras que hoje obscuram o horizonte no mundo, assumir a responsabilidade de educar os jovens à consciência da verdade, aos valores fundamentais da existência, às virtudes intelectuais, teologais e morais, significa olhar para a futuro com esperança. Nesse empenho por uma educação integral, entra também a formação à justiça e à paz. Os rapazes e moças de hoje crescem em um mundo que se tornou, por assim dizer, mais pequeno, onde os contatos entre as diferentes culturas e tradições, mesmo que muitas vezes não de forma direta, são constantes. Para eles, hoje, mais que nunca, é indispensável aprender o valor e o método da convivência pacífica, do respeito recíproco, do diálogo e da compreensão. Os jovens são por natureza abertos a essas atitudes, mas exatamente a realidade social na qual crescem podem levá-los a pensar e a agir em modo oposto, de modo intolerante e violento.
Somente uma sólida educação da consciência deles pode coloca-los à parte desses riscos e torná-los capazes de lutar sempre e contando somente com a força da verdade e do bem. Essa educação parte da família e se desenvolve na escola e nas outras experiências formativas. Se trata essencialmente de ajudar as crianças, os jovens, os adolescentes, a desenvolver uma personalidade que una um profundo sentido de justiça com o respeito do outro, com a capacidade de enfrentar os conflitos sem prepotência, com a força interior de testemunhar o bem também quando custa sacrifício, com o perdão e a reconciliação. Assim poderão tornar homens e mulheres verdadeiramente pacíficos e construtores da paz.
Nesta obra educativa voltada para as novas gerações, uma responsabilidade particular cabe também às comunidades religiosas. Todo itinerário de autêntica formação religiosa acompanha a pessoa, desde os primeiros anos de idade, a conhecer Deus, a amar e a fazer a sua vontade. Deus é amor, é justo e pacífico, e quem quer honrá-lo deve antes de mais nada comportar-se como um filho que segue o exemplo do Pai. Um Salmo afirma: “O Senhor cumpre coisas justas, defende os direitos de todos os oprimidos...Misericordioso e piedoso é o Senhor, lento para a ira e grande no amor” (Sal 103, 6.8). Em Deus justiça e misericórdia convivem perfeitamente, como Jesus nos demonstrou com o testemunho da sua vida. Em Jesus 'amor e verdade' se encontraram, 'justiça e paz' se uniram (cfr Sal 85, 12.13). Deus nos falou no seu Filho Jesus. Escutamos o que diz Deus: 'Ele anuncia a paz' (Sal 85,9). Jesus é uma via praticável, aberta a todos. É a via da paz. Hoje a Virgem Maria nos indica isso, nos mostra a Via: a sigamos! E vós, santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção. Amém.
(CN Notícias)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


 As condições de vida do homem moderno sofreram tão profunda transformação  no campo social e cultural, que é lícito falar de uma nova era da história humana.

Cresce cada vez mais o número dos homens e mulheres, de qualquer grupo de nação, que tem consciência de serem os artífices e autores da cultura da própria comunidade.

Como fomentar o dinamismo e expansão  da nova cultura, sem deixar perder a fidelidade  viva à herança tradicional?
 
Quando o homem, usando as suas mãos ou recorrendo à técnica, trabalha a terra para que ela produza frutos e se torne habitação digna para toda a humanidade  está cumprindo a vontade de Deus que o mandou dominar a criação; cumpre também igualmente o mandamento de Cristo, de se consagrar ao serviço dos irmãos.

O progresso hodierno das ciências e das técnicas  que em virtude do seu próprio método, não penetram até as causas  últimas das coisas, pode sem dúvida dar azo a certo  fenomenismo e agnosticismo, sempre que o método de investigação de que usam estas disciplinas se arvora indevidamente em norma suprema de toda a investigação da verdade. 

A Igreja não está exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma raça ou nação, a nenhum gênero de vida particular  ou a um costume qualquer, antigo ou moderno.

Uma vez que a cultura deriva imediatamente da natureza racional e social do homem, tem uma constante necessidade  de justa liberdade  e de legítima autonomia, de agir segundo dos seus próprios princípios para se desenvolver.

À autoridade pública não pertence, porém, determinar o caráter próprio das formas de cultura, mas favorecer as condições e medidas necessárias para o desenvolvimento cultural de todos, mesmo das minorias  de alguma nação. 

Dado que hoje há a possibilidade de  libertar muitos homens da miséria da ignorância, é dever muito próprio do nosso tempo, principalmente para os cristãos, trabalhar energeticamente para que, tanto no campo econômico como no político, no nacional como no internacional, se estabeleçam os princípios fundamentais segundo os quais se reconheça e se atue em toda a parte efetivamente o direito de todos à cultura correspondente à dignidade humana, sem discriminação de raças, sexo, nação, religião ou situação social.

Será um dever para todos reconhecer e fomentar a necessária e específica participação das mulheres na vida cultural.

Ainda que a Igreja muito tem contribuído para o progresso cultural, mostra, contudo, a experiência que, divido a causas contingentes, a harmonia da cultura com a doutrina cristã nem sempre se realiza sem dificuldades.

Na atividade pastoral, conheçam-se e apliquem-se suficientemente, não apenas os princípios teológicos, mas também os dados das ciências profanas, principalmente da psicologia e sociologia, para que assim os fiéis sejam conduzidos a uma vida de fé mais pura e adulta.

Saibam conciliar os conhecimentos das novas ciências e doutrinas e últimas descobertas com os costumes e doutrina cristã, a fim de que a pratica religiosa e a retidão moral acompanhem nele o conhecimento científico e o progresso técnico e sejam capazes de apreciar e interpretar todas as coisas com autêntico sentido cristão (1Ts 5,21).
 
Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária para a salvação.

Por conseguinte, não poderão salvar-se aqueles que, sabendo que Deus a fundou por Jesus Cristo como necessária à salvação, se recusam a entrar ou perseverar na Igreja Católica. 
 
A Igreja Católica não rejeita nada que seja verdadeiro e santo nas religiões não-cristãs. Considera com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas, que, embora em muito pontos difiram do que ela mesma crê e propõe, não raro refletem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens.No entanto, ela anuncia, e é obrigada a anunciar a Cristo, que é caminho, verdade e vida (Jo 14,6), no qual os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou a si todas as coisas. 

Aqueles que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, mas buscam a Deus na sinceridade do coração e se esforçam, sob a ação da graça, por cumprir na vida a sua vontade, conhecida através dos ditames da consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna.

Sintetisado por Ir. Franklins Marques Torres, NJ a partir da constituição Gaudium et spes.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Espiritualidade do Serviço


           Para fazer uma reflexão a respeito do que significa ser membro de um ministério, tomemos a seguinte perícope paulina: Rm 12, 1-13.
 
I – Oferta a Deus (vv. 1-2)
II – Humildade (v. 3)
III – Unidade/Caridade (vv. 4-13)

ש      Oferta a Deus
Antes de tudo para uma verdadeira vivência e atuação em um ministério, é preciso ter a clara consciêcia de que somos chamados, escolhidos, por Deus. Não fomos nós que escolhemos o ministério que gostaríamos de servir, mas o próprio Deus se encarrega de nos chamar e capacitar-nos para o seu exercício (cf. Jo 15, 16).
Servir em um ministério é sempre estar a serviço da Palavra, ser canais de conversão. O ministério é lugar de conversão e não autopromoção, nós somos servos e não estrelas (cf. Mt 20, 25-25; Jo 13, 13-15). O nosso objetivo é evangelizar e não fazer show ou grandes eventos.

ש      Humildade
A humildade é o conhecimento de quem verdadeiramente eu sou: minhas potencialidades e limitações. É não ser o centro da própria existência nem de qualquer outro. É Caminhar aprendendo com o outro e contribuir para que o outro cresca, com a certeza de sempre estar debaixo do olhar de Deus, que me ama exatamente como sou.
Como ministros, precisamos buscar sempre aperfeiçoar-nos nos talentos que Deus nos concedeu (cf. Mt 25, 14-30), no entanto, nunca descuidar do excencial, isto é, a unção de Deus (cf. Lc 10,38-42). Devemos ter a consciência que não somos insubstituíveis no ministério e alegrar-nos quando o Senhor manda alguém que faz o que temos a capacidade de fazer.

ש      Unidade/Caridade
Todo dom que o Senhor nos dá é para ser empregado em favor da Igreja (1Cor 12, 7; Catec. 799; 951). Para que a unidade seja preservada é necessário que haja obediência aos coordenadores (1Cor 14, 32-33.37-38). Apenas a perseverança na caridade vai sustentar o seu ministério, pois exatamente como o próprio nome indica,é serviço, e não status.
Diante de tudo o que refletimos, podemos abstrair algumas atitudes que o ministro poderia tomar para obter êxito em seu serviço: disponibilidade, fervor, alegria, atenção às nescessidades do outro e vida de oração (cf. Rm 12, 11-13).


[Elaborado por Ir Franklins Marques Torres, NJ (noviço).]

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Fruto do Silêncio



Verdadeiramente “o silêncio engravida as palavras”. Pois quando damos a oportunidade a Deus e também a nós mesmos de responder no nosso silêncio, percebemos o quanto queremos ser os donos da verdade, enquanto nos escondemos de nós mesmos, da nossa própria realidade, porque não temos coragem de encarar a dura realidade de nossos limites e paixões.
O silêncio nos põe frente à nossa própria realidade e também diante do olhar perscrutante de Deus. Não há como esconder-se quando se silencia, não só a boca, mas, sobretudo, o coração. No barulho encontramos sempre justificativas e desculpas para o nosso medo de olhar para nós mesmos. Até mesmo a oração e a disciplina podem tornar-se apenas fuga daquilo que o silêncio pode me dizer da minha vida, meus relacionamentos (comigo mesmo, com Deus e com o outro). Obviamente, não se cresce na vida de oração. A ascese torna-se infecunda e cansativa; mais um fardo que libertação.
É uma arte estar atento e dialogar consigo mesmo, com seus desejos mais profundos, com suas fraquezas e paixões, por vezes reprimidas. No entanto, temos um aliado fundamental nesta caminhada de crescimento na vida espiritual: o amor de Deus. É o amor de Deus que me faz olhar para mim mesmo com correta estima, sem julgamentos e com tranquilidade. Quando nos sentimos profundamente amados por Deus, pouco ou nada nos importa o que os outros pensam de mim, pois, a consciência repousa na paz que brota da certeza de que somos aceitos por Deus exatamente como somos.
Por causa desta justa estima de si, somos capazes de acolher e aceitar nossos limites e pecados com serenidade, porque isso não diminui em nada a certeza do amor infinito de Deus por nós, mas esses mesmos limites transformam-se em base para a construção de uma espiritualidade sólida e realista, bem humana. Com isso, até nossos relacionamentos são enriquecidos. Porque aceitamos a nós mesmos, tornamo-nos capazes de aceitar e respeitar a particularidade do outro. As amizades são fortalecidas à medida que fortalecemos nosso relacionamento com Deus. O nosso coração se abre ao outro à medida que me abro a Deus e viceversa. Eu me abro a Deus à medida que amadureço nas minhas amizades.
O coração é educado na escola do amor. Ao doar-se, se abre também para receber o “dom” e “mistério do outro”. E isso não se dá nos cumes da santidade, mas no cotidiano das relações com aqueles que Deus nos dá a oportunidade de conviver. Preciso descer até o mais profundo de mim se quero subir até os cumes do céu. É na realidade de quem sou que Deus vai construindo seu santuário.
Assim, a virtude que sustenta o homem neste caminho é a humildade. Pois a humildade é o conhecimento de quem verdadeiramente sou: minhas potencialidades e limitações. É não ser o centro da existência própria nem da de qualquer outro. É caminhar aprendendo com o outro e contribuindo também para que o outro cresça, com a certeza de sempre estar debaixo do olhar de Deus, que me ama exatamente como sou. É não ter a pretensão de possuir a verdade, mas estar aberto a compreendê-la em todas as circunstâncias, onde quer que ela se apresente à alma.