terça-feira, 28 de setembro de 2010

A importância do ensino religioso na educação

Este tema é bastante interessante para a discussão entre professores, diretores pedagógicos de instituições de ensino e estudiosos na área da educação. Muito pelo contrário, estamos, todos nós, envolvidos na dinâmica educacional como sujeitos sociais, já que formamos um conjunto de sociabilidade, que envolve o constante processo de educação entre crianças, jovens, adultos e idosos.
É preciso entender que educação é um conceito inerente ao ser humano e a sua disposição de percepção do mundo e dos valores de outras pessoas e todas as vivências sociais e culturais que transitam nos relacionamentos interpessoais em uma sociedade. Bem diferente da idéia de educação que sempre tivemos em que o conceito foi reduzido a uma prática que repassa conteúdos de diversas disciplinas para um grupo de pessoas entre quatro paredes, sabe-se que essa estrutura se refere à condição de mercadoria da educação, que se transformaram as práticas educacionais.
Quando se vende a educação, vendem-se apostilas, livros didáticos, fardamento, material escolar, as horas de aulas dos professores e toda a estrutura física do colégio. O ensino público, de hoje, é uma conseqüência do que sobra desse sistema. Prestemos atenção na expressão: “o que sobra”. Percebemos que não ocorre a venda da educação, mas acontece a distorção dos fatos ou a dissimulação de um ensino que quer mostrar para a sociedade que é de qualidade, com a ajuda da mídia governamental, porém que esconde interesses políticos.
A educação no nosso país reflete nossa sociedade e vice-versa. Muitos não sabem que os valores de cidadania, deveres e responsabilidades sociais, respeito ao próximo, a busca da vivência da fé que esteja de acordo com a consciência do grupo, o desenvolvimento afetivo-cognitivo e emocional são formas de educação. É a educação integral, que visa o amadurecimento integrante e sempre inacabado do homem e da mulher.
Esse processo gradativo da educação é prioridade dos pais. É dentro das famílias que a importância da educação é mais esperada, pois os valores que são assimilados pelos filhos, quando pequenos, são as engrenagens principais norteadoras para o desenvolvimento equilibrado do indivíduo e da sociedade. Não é a escola a grande responsável pelo desenvolvimento educacional das crianças. E por essa afirmação, não se pode justificar sua ineficiência, frente a um contexto cultural pós-moderno massacrante, que visa o lucro desenfreado, as modas e a fugacidade dos estilos de vida. Deve haver uma complementaridade dos dois pólos, escola e família, para ajudar na construção de consciências sociais e pessoais sadias.
Nesse contexto, quero ressaltar que valores se referem ao que temos de mais pessoal, de mais precioso e que levaremos até o fim da nossa vida, para semearmos o amor e a concórdia. O ensino religioso sério e coerente proporciona os mecanismos para ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem suas potencialidades pessoais, a convivência sadia com o próximo e principalmente, a vida interior com Deus, nosso pai e criador de todas as coisas.
Há algum tempo, o ensino religioso foi perdendo sua importância nos estabelecimentos de ensino primário e fundamental. Hoje, de acordo com o sistema de ensino, ficou facultativo o ensino nas salas de aula dessa disciplina. Os órgãos gestores administrativos e educacionais estão proliferando a idéia do estado laico, onde nas escolas e faculdades não será permitido mencionar conteúdos de determinada religião ou exibir imagens, quadros ou frases que remetem a expressão religiosa. Percebe-se, com essa atitude, o empobrecimento da cultura e do conhecimento do que é ser religioso, ou seja, da noção de sermos religados a Deus.
O ensino religioso não se limita em catequizar somente. O professor, o mestre dessa disciplina tem que ser consciente do seu papel como cristão batizado, que possui a capacidade de ensinar com a vida os valores do evangelho, as experiências próprias de fé, que enriqueçam a vida das crianças e adolescentes. É o ensino que não passa, mas marca a vida de quem apreende e percebe o afloramento de verdadeiros valores durante as fases da vida, no que se refere ao sentido do sagrado, do humano e do social.
A criatividade no aprendizado é fundamental. Falar de Deus não é o bastante, mas indicar Deus, mostrar com simplicidade, através de instrumentos e recursos pedagógicos a essência do ser humano proporciona a descoberta da verdade, dos valores eternos, que constrói homens e mulheres cientes do seu papel de cristãos e cidadãos.
Devemos começar a discutir com bastante “clareza” o que significa as expressões e sua vivência na sociedade atual: DEUS, FAMÍLIA, EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E VALORES.

Edmilton de Almeida Lima
Postulante do Instituto Religioso Nova Jerusalém e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará.

domingo, 19 de setembro de 2010

A ORDEM DE SÃO JERÔNIMO (OSH)

A Ordem de São Jerônimo (Ordo Sancti Hieronymi, OSH) é uma ordem religiosa monacal de orientação exclusivamente contemplativa originada no século XIV, fundamentada nos escritos de são Jerônimo. Prescrevendo uma vida de solidão e silêncio, oração assídua e penitência, a OSH busca levar seus monges à união com Deus, consciente de quanto mais intensa for essa união, por sua própria doação na vida monástica, tanto mais esplêndida se faz a vida da Igreja e mais vigorosamente se fecunda seu apostolado. A vida do monge Jerônimo é pautada pelo equilíbrio entre a oração e o trabalho.

No século XIV diversos grupos de homens da Espanha, motivados pelo exemplo de vida e santidade de são Jerônimo, buscaram uma vida de maior perfeição cristã.

Deste desejo de reformas, numa época conturbada e decadente, surgiu a Ordem de São Jerônimo. Por toda a Península Ibérica surgem homens que abraçam a vida eremítica, buscando imitar são Jerônimo. Dentre eles destacaram-se Pedro Fernandez Pecha e Fernando Yañez de Figueiroa, que, após vários anos de experiência eremítica, concluíram ser melhor a vida cenobítica, com a adoção de uma regra.

Em 18 de outubro de 1373, o Papa Gregório XI lhes faz a ereção canônica, com o nome de Irmãos de São Jerônimo, outorgando-lhes a Regra de Santo Agostinho. Desde então buscaram aqueles homens estabelecer um monacato regular, o que foi alcançado em 1415, com a união da ordem, quando já possuíam vinte e cinco mosteiros.

No século XIX, a Ordem já possuía quarenta e oito mosteiros e cerca de mil monges, quando advindo da Revolução Liberal, os religiosos se viram obrigados a abandonar seus mosteiros, sendo que alguns se arruinaram, outros foram passados à outras ordens da Igreja, e outros ainda reduzidos ao uso leigo. Em 1925 foi expedido pela Santa Sé um rescrito de restauração, que se iniciou pelo mosteiro de Santa Maria del Parral, em Segóvia. Com a proclamação da restauração, o que se complicou ainda mais com a Guerra Civil Espanhola, entre 1936 e 1939. Somente após o Governo Geral de 1969 é que se pode efetivar definitivamente a restauração. Presentemente, há dois mosteiros da Ordem na Espanha: Mosteiro de Santa Maria del Parral e Mosteiro de São Jerônimo de Yuste, em Cáceres.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jesus é o Senhor
(Serás inteiramente do Senhor teu Deus)

Dt 6, 4-5 (SHEMÁ):
O ato de fé do povo de Deus é um ato de obediência ao Senhor que o escolheu, gratuitamente por amor, dentre todos os povos para servi-Lo.
Obedecer, vem do latim ob audire que significa escutar, dar ouvidos. Nas Sagradas Escrituras, escutar não é uma atitude passiva, mas colocar em prática o que se ouve.
No versículo 4 está a maior afirmação do credo judaico: Deus é UM (ehad). Existe apenas um Deus e tudo aquilo que se coloca no lugar desse Deus é um falso deus, sendo uma idolatria.

O MALIGNO
As Sagradas Escrituras sempre deram testemunho de uma ação contrária à de Deus. Ao longo do tempo e evolução da Escritura e do pensamento do povo de Deus, fica claro que não é apenas uma “força” que atua contra Deus e os seus filhos, mas uma pessoa, que a Bíblia chama Satanás, (do hebraico satan) adversário ou delator.
O Catecismo da Igreja Católica afirma a existência desse ser pessoal que é inimigo de Deus e dos homens (Catec. 391 – 395; 2851). Negar a existência do Demônio é ir contra a Doutrina. Desde o início da história humana ele emprega-se em fazer o homem perecer (cf. Gn 3; Jo 8, 44; 1 Jo 3,8).

SUA AÇÃO
Sua ação consiste em deturpar as coisas boas e fazer passar por boas as que, na realidade, são más (cf. Is 5, 20).
É necessário renunciar a toda obra associada direta ou indiretamente ao Demônio. A Fé deve ser única e íntegra, todo sincretismo fere a pureza da fé (cf. Dt 18, 9-14; At 19, 18-20; Tg 4,4; Catec. 67b).

RENÚNCIA
É urgente a renúncia total e radical à Satanás para viver na liberdade de filhos de Deus (cf. Tg 4,7).
A renúncia a Satanás deve ser livre e consciente. É uma luta declarada contra o Mal e suas obras. A renúncia supõe declarar-se submisso inteiramente ao senhorio de Jesus. Só aquele que se coloca sob o senhorio de Cristo pode resistir ao Demônio e ser libertado do poder das trevas (cf Tg 4,7-10).
É apenas revestido do poder de Deus que se pode resistir a Satanás e declarar o senhorio de Jesus sobre si (cf. 1 Cor 12,3).

CONCLUSÃO
Nossa fé enfrenta, especialmente na atualidade, muitos obstáculos à sua vivência plena, no entanto, “Aquele que está em vós é maior do que o que está no mundo” (cf. 1 Jo 4,4).


[Adaptação feita por Ir. Franklins de Jesus Palavra-Hóstia, NJ (noviço), da apostila Seminário de Vida no Espírito Santo I da Editora RCC Brasil]

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ir. Franklins Marques Torres, NJ (noviço)

1. AUTOR
O livro dos Atos dos Apóstolos forma uma obra única com o terceiro Evangelho. Isso pode ser atestado pela unidade literária e teológica . O autor dos Atos se propõe a fazer um resumo da “história das primeiras comunidades cristãs”. Entretanto, quando se fala de “história” não se deve entender como uma obra como conhecemos na modernidade, mas como fatos interpretados à luz da fé no Cristo. O presente trabalho se propõe expor o pensamento atual a respeito dessa obra fundamental na fé das primeiras comunidades cristãs e também na nossa vivência atual do cristianismo.
A tradição da Igreja identifica o autor deste livro, assim como o do terceiro Evangelho, como sendo Lucas, companheiro de Paulo durante e cativeiro e em algumas de suas viagens (Cl 4,14; Fm 24; 2Tm 4,11; At 16,10). Não temos algo seguro a respeito do autor. O que se tem é o que o próprio livro dos Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo nos oferecem, sabe-se, no entanto, que era médico (Cl 4,14). Sua data de composição não é precisa, entretanto, só se pode pensar que seja após a do terceiro Evangelho (Cf. At 1,1), ou seja, por volta do ano 80 d.C. Já por volta de 200 d.C. esta obra já era bem conhecida em toda a Igreja, tendo-o como norma de verdade e de fé. Muito cedo, aliás – ao mais tardar no século IV –, os Atos já eram lidos na liturgia eucarística no tempo pascal. Observamos que este livro influenciou e continua a influenciar muitos cristãos no desejo de volta às origens do cristianismo.
Com o esquema a seguir, podemos ver que o livro dos Aos dos Apóstolos é um complemento do Evangelho de São Lucas.


* Batismo no Espírito e fogo;
– Lc 3,16 / At 2,1-14.

* Descida do Espírito;
– Lc, 21s / At 11,16.

* Centurião romano;
– Lc 7,1-10 / At 10.

* Ressuscita uma menina (aqui ressurreição temporal);
– Lc 8,49-56 / At 9,36-42.

* Visão gloriosa, transfiguração;
– Lc 9,28-36 / At 7,55s; 9,4ss.
* Tempestade acalmada;
– Lc 8, 22-25 / At 27, 13-26.

* Subida de Jerusalém;
– Lc 9, 31-51 / At 19, 21; 21, 15.

* Processo e morte de Estevão; não podem resistir-lhe;
– Lc 21, 15 / At 6,10.

* Perante o grande conselho;
– Lc 22, 15 / At 6, 12s.

* Pede perdão pelos inimigos;
– Lc 23, 34 / At 7, 60.


2. OBJETIVO E CONTEÚDO
No seu Evangelho, Lucas preocupou-se em mostrar que Deus visitou o seu povo no Cristo Jesus, segundo as Escrituras. Em todo o Evangelho, Lucas descreveu a missão do Messias como uma grande subida para Jerusalém, a cidade do Deus Altíssimo, centro da fé judaica. Sendo então uma continuidade do seu Evangelho, Lucas, estrutura os Atos dos Apóstolos como um complemento dessa idéia de universalidade da salvação. Assim como em Jesus todas as promessas foram cumpridas (Lc 3–24), depois da Páscoa e do Pentecostes, é o tempo do testemunho universal sob o impulso do Espírito Santo (At 2). Agora, de Jerusalém, sai a mensagem de salvação a todos os povos (Is 2,3; At 1,8).
Uma preocupação dos Atos é a propagação da Palavra (At 5,42; 6,7; 8,4.25; 9,31; 12,24; 13,49; 15,36; 19,20; 28,31), que é o testemunho fiel do Cristo ressuscitado, primeiro por meio dos Doze, testemunhas visíveis da missão de Jesus (1,2). Depois outros, ocupando o primeiro plano do livro, Paulo, participam desse anúncio da Palavra. Para Lucas, a pregação da Palavra deve levar os ouvintes da mesma, à conversão, a crer no Senhor Jesus Cristo, em quem está a salvação (4,12). Nos Atos dos Apóstolos, a iniciação cristã se dá em duas etapas: batismo em nome de Jesus para o perdão dos pecados (2,38) e imposição das mãos para receber o dom do Espírito Santo (6,6; 19,1-6).
Outro tema caro a Lucas nos Atos dos Apóstolos é a Igreja. A palavra Igreja vem do grego ekklèsia, que biblicamente designava a assembléia do povo de Israel, especialmente no deserto. Com isso, os Atos dos Apóstolos mostra que a Igreja é o novo e único povo de Deus, adquirido com o seu próprio sangue (20,28); são admitidos a esse número os que aceitam Jesus como o Senhor, circuncisos e inciscusisos, sendo batizados no nome de Jesus. Portanto, rejeitar a Igreja é excluir-se da salvação dada por Jesus através da mesma (2,47; 5,14; 16,5). Para os Atos dos Apóstolos, a comunidade primitiva é o modelo para todos os que abraçam a Fé. Esse alcance rompe os limites de tempo e espaço, pois a Igreja é o “hoje” da salvação para todos os homens. Por isso o centro da teologia dos Atos é a universalidade da salvação (1,8; 2,10; 10,01; 11,19; 15,01; 17,31; 28,31).
Finalmente, o que podemos destacar ainda na teologia do livro dos Atos é a passagem da salvação do judaísmo ao cristianismo, da lei à fé (15,1.5.9.11). Entretanto não se pode entender essa passagem como um rompimento, como declarará Paulo ao governador Félix, ao contrário é a única maneira de permanecer firme à esperança de Israel (26,22). Nem por isso os judeu-cristãos não abandonaram as práticas judaicas, a lei e a circuncisão – aliás, muitos queriam impor o mesmo aos cristãos oriundos do paganismo. Paulo foi um apaixonado defensor dos pagãos neste ponto, entretanto, ele mesmo se mostrava fiel observador da Lei (16, 3; 21,26; 22,17).
Para Lucas esse Israel, beneficiário das promessas em Jesus, tem o dever de abrir-se às nações de uma maneira não entendida por eles. Sendo assim, os Atos colocam o próprio Deus intervindo nesse ponto: o episódio de Cornélio (10). Ainda assim alguns interpretaram esse fato como uma exceção. Todavia, para Lucas essa foi a solução e menciona com vigor a vitória nessa questão no Concílio de Jerusalém (15,4-29).
Abaixo está mais bem esquematizada a estrutura do livro dos Atos dos Apóstolos:

I. Introdução: o encargo do anúncio dado aos Apóstolos (1,1-26).

II. O testemunho dos Apóstolos em Jerusalém (2,1–5,42).
• Efusão do Espírito Santo e início da missão (2,1-41).
• Palavras, milagres e perseguição (3,1–4,31).
• A vida em comunidade (2,42-47; 4,32–5,42).

III. O testemunho sobre Cristo sai de Jerusalém e toma o rumo dos pagãos (6,1–15,35).
• De cristãos gregos para judeus gregos (Estevão, Filipe e os helenistas) (6,1– 8,40).
• A conversão de um grande perseguidor: Paulo (9,1-31).
• Pedro missionário é a presença da Igreja entre os pagãos (9,32–11,18).
• A missão dos helenistas em Antioquia (11,19-30).
• A perseguição de Herodes Agripa I à obra (12,1-25).
• Um passo desde Antioquia: a viagem missionária de São Paulo e Barnabé e a adesão de judeus e gentios (13,1–14,28).
• Os conflitos de tendências e o Concílio de Jerusalém (15,1-35).

IV. O caminho do testemunho sobre o Cristo até os confins da terra (15,36–28-31).
• A segunda viagem missionária de Paulo (15,36–18,22).
• A terceira viagem missionária de Paulo (18,23–21,14).
• Prisão de Paulo em Jerusalém (21,15–23,35).
• Prisão de Paulo em Cesaréia (24,1-26).
• A viagem a Roma (27,1–28,16).
• A pregação de Paulo em Roma (28,17-31).

Tabela 2.1.
1 – 12:
A Igreja de Jerusalém e as primeiras missões – parte petrina.
13 – 15:
Antioquia Paulo e Barnabé Concílio de Jerusalém Tiago e Pedro.
16 – 28:
De Antioquia a Roma – parte paulina.

3. QUESTIONAMENTO
Após essa reflexão e discussão a respeito desse precioso livro da Sagrada Escritura, ainda nos surgem questionamentos. Este trabalho não se propõe a solucionar problemas, nem tão pouco dar respostas definitivas. Gostaria aqui de dar inicio a uma pequena discussão: Seria Atos dos Apóstolos o nome mais adequado deste livro?
Se observarmos melhor a estrutura da obra de Lucas percebemos uma personagem que se destaca entre todas: Paulo. Este Apóstolo aparece primeiramente no capítulo sete, no martírio de Estevão (7,58), daí então praticamente toda a narrativa gira em torno de Paulo – primeiramente Saulo. Algo que também notamos claramente é a importância dada à sua conversão, que é narrada três vezes (9,1-19a; 22,5-16; 26,9-18). Para Lucas ainda o Apóstolo Paulo é o modelo de Igreja missionária, falando de três viagens para anunciar a palavra de salvação (13–14; 15,36–18,22; 18,23–21,17 respectivamente). Outra consideração é a respeito da relação do autor com Paulo. Como vimos Lucas era companheiro do Apóstolo, tendo bastante base pessoal para escrever sobre ele com paixão de discípulo fiel ao mestre. Podemos observar traços claros da teologia e termos paulinos na obra dos Atos dos Apóstolos.
Tendo exposto estas particularidades deste livro, propomos ainda uma leve mudança no título desta obra. Deixamos claro que é uma mera sugestão, sem pretensão nenhuma, apenas uma opinião pessoal baseada nas observações feitas acima. Um título que poderíamos dar a este livro seria: “Os Atos de Paulo”.

4. CONCLUSÃO
Ao estudarmos esta obra-prima da literatura do primeiro século, percebemos a grade influência da mesma na vida das primeiras comunidades cristãs. Especialmente a figura do grande missionário, Paulo de Tarso. Também não podemos deixar de destacar com que grande força este livro impulsiona tantas comunidades e movimentos na Igreja de hoje a buscar o ideal da Igreja primitiva. Cabe a Igreja de hoje o fiel seguimento da Palavra de Deus, sob o impulso do Espírito Santo, “até as extremidades da Terra”, para que todos, sem exceção, alcancem a salvação em Cristo, cumprimento da Promessa do Pai.

5. BIBLIOGRAFIA
• BÍBLIA SAGRADA Tradução da CNBB; 6ª Edição; Edições CNBB, Brasília-DF; Editora Canção Nova, São Paulo-SP, 2007.
• BÍBLIA DE JERUSALÉM; Editora Paulus, São Paulo-SP, 2004.
A BÍBLIA TEB; Edições Loyola, São Paulo-SP, 1994.

sábado, 21 de agosto de 2010

Empecilhos para a cura

O QUE IMPEDE A GRAÇA DE DEUS ACONTECER?

O que seria uma barreira para Deus não agir? Então é isso que nós queremos hoje refletir nessa palestra: Os preconceitos, os empecilhos, as barreiras contra a cura.
Antes, é importante que se fale de pontos que geram confusão no entendimento da ação de Deus entre nós.

1. Deus não nos cura porque não quer nos salvar
Quando nós dizemos que Deus não quer nos salvar estamos enganados. Isso é uma barreia para a cura acontecer (Is 53, 4; 1 Pd 2, 24s).

2. O pecado é para a glória de Deus
A nossa luta contra o pecado, é ela que vai expressar a glória de Deus e não o nosso pecado.

3. Ficar acomodado com o pecado
Nós não devemos ficar acomodados com o nosso pecado, nem com a nossa doença, ou seja, se eu adoeço não posso ficar acomodado com a minha doença, tenho que procurar a cura. Da mesma forma também não posso descuidar da minha saúde.

4. Achar que os prodígios são coisas do tempo apostólico
A nossa Igreja é carismática. Só podemos dizer que as curas e os milagres são do passado, no dia em que a Igreja não existir mais. O Espírito Santo age aqui e agora.



ATITUDE DO MINISTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO.

Da mesma forma que não devemos tolerar o pecado, também não devemos tolerar as doenças. Aceitar a doença é uma coisa, querer a doença é outra coisa. A doença é um mal. Deus não quer o mal do ser humano. Ao visitar um doente, ou quando também nós estivermos doentes, não devemos logo pedir a cura, mas questionar como permanecer fiel mesmo na doença. E a partir disso, orar. O fato de não pedir logo a cura não é que você não queira, mas você deve demonstrar primeiro um ato de fé, porque sem fé não se pode ser curado.
Existe uma relação estreita entre cura e salvação. A cura é um sinal de que Deus salva o ser humano (Cf. Is 53, 4). Para isso analisemos estes dois textos bíblicos:

 “Porque, se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Rm 19, 9);

 “Em todos os lugares onde [Jesus] entrava, nos povoados, nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças, rogando, que lhes permitisse ao menos tocar na orla do seu manto. E todos os que o tocavam eram salvos” (Mc 6, 56).

OBS.: Nos dois trechos, embora falando de realidades totalmente diferentes, – a primeira da salvação eterna, a segunda de uma cura física – as palavras gregas utilizadas são derivadas do mesmo verbo(salvar).

ATITUDES NEGATIVAS RELATIVAS À ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO


 Confundir oração de cura e libertação com curandeirismo;

 Desconfiar da graça de Deus;

 Não se preparar pela vigilância e a oração;

 Achar que a doença é uma cruz dada por Deus;

 Achar que por ter fé não precisa ser curado;

 Pensar que só quem pode rezar é quem é santo;

 Dizer que não precisa rezar porque existe a ciência;

 Recusar recorrer à medicina;

 Viver em um ambiente averso a Deus.



MANDAMENTOS DA CURA


1. Crer que Deus quer me curar.

2. Confiar o amor de Jesus.

3. Entregar-se, abandonar-se à vontade Deus inteiramente.

4. Receber os sacramentos.

5. Orar freqüentemente uns pelos outros.

6. Não ter medo de impor as mãos.

7. Pedir perdão e perdoar também.

8. Orar pelos que o ofenderam.

9. Pedir a cura ao Pai em nome de Jesus ou diretamente a Jesus.

10. Pedir a intercessão poderosa da Virgem Maria, dos anjos e dos santos.

11. Crer a Palavra de Deus, independentemente do que pareça estar acontecendo.

12. Devemos louvar de agradecer freqüentemente para que a cura aconteça.

13. Devemos também nos apropriar das curas recebidas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Os Escritos Paulinos

1. PREFÁCIO

Acredito que nada melhor para escrever sobre a personalidade e a convicção desse grande apóstolo de Jesus, como uma autodescrição:

[Eu Saulo/Paulo] fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus; quanto à observância da Lei, fariseu; no tocante ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que vem da Lei, irrepreensível. Mas essas coisas, que eram ganho para mim, considerei-as prejuízo por causa de Cristo. Mas que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. (Fl 3, 5-9a)

Com esse texto da carta aos filipenses, percebemos a sua consciência de que Deus o escolheu, não obstante às suas falhas, não acolheu esse chamado como privilégio, mas como grande responsabilidade com a qual não brincou ou perdeu tempo.
Graças a essa convicção da seriedade do seu apostolado, realizou grandes viagens, fundou comunidades, escreveu muitas cartas, deixando uma quantidade relativamente maior de material a seu respeito do que os outros apóstolos.

2. HISTORIOGRAFIA DO APÓSTOLO

Saulo nasceu em Tarso da Cilícia (At 9,11; 21,39; 22,3), entre os anos 5 e 10 da nossa era (Fm 9). Desde sua infância, foi instruído no farisaísmo, em Jerusalém, por Gamaliel, um grande rabi de sua época (At 22,3; At 26,5). Saulo é da tribo de Benjamim, sendo ainda, de cidadania romana (At 16,37; Fl 3,5).
Inicialmente, foi implacável perseguidor da Igreja nascente (At 22,4). Por volta do ano 35 dC, um grande acontecimento no caminho para Damasco (At 9,1-19a; 22,5-16; 26,12-18) transforma totalmente o rumo da vida deste homem de Deus. Antes, convicto de estar fazendo a vontade de Deus, mais ainda depois do encontro com o Cristo ressuscitado, tornou-se Arauto do mesmo Caminho que anteriormente suprimira com violência. Agora a violência era interior, de anunciar o Cristo do qual toma o título de Apóstolo – mesmo sendo um título dado quase que exclusivamente aos Doze –confirmado pelas palavras do próprio Jesus (At 22,21).
Na sua primeira missão apostólica ocorre no ano 40 – depois de ter subido à Jerusalém para apresentar-se a Pedro, no ano 37 – parte com Barnabé para Chipre, Panfília, Pisídia e Licaônia (At 13–14), quando passou dedicar-se exclusivamente aos pagãos e também adotou seu nome romano: Paulo. Surge, de seu apostolado entre os pagãos, um conflito de Paulo e seus companheiros, com os cristãos de origem judaica, conseqüentemente, com os Doze. Por esse motivo, aproximadamente, entre 48/49, em Jerusalém, é convocado o primeiro Concílio da Igreja, para tratar da obrigatoriedade, ou não, dos recém convertidos ao cristianismo, de origem pagã, de cumprirem a Lei de Moisés e fazerem-se circuncidados.
No ano seguinte (50-52), Paulo parte em sua segunda viagem (At 15,36–18,22) percorrendo e confirmando a fé das comunidades na Síria e a Cilícia (At 15,41). Depois prosseguiu por Derbe, Listra, – onde conheceu Timótio – Frígia, Galácia, Mísia, Trôade, Samotrácia, Neápolis, Filipos e outras cidades e regiões. Nessa mesma viagem, na cidade de Filipos, foi seu primeiro cárcere. A sua terceira viagem (At 18,23–21,17) foi entre os anos 53-58. Na festa de Pentecostes do ano 58, Paulo é preso no Templo, em Jerusalém, e depois transferido para Cesaréia (At 21,27–23,22), até que no outono de 60, o Procurador Festo o envia para Roma, permanecendo ali ainda dois anos, terminando nosso conhecimento bíblico da vida desse Apóstolo. O que temos depois disso são tradições a partir de suas cartas, das quais se pode conjecturar que foi à Espanha (1Cor 15, 24-25). Tais tradições nos dão a data do seu martírio no ano 64 ou 67.

3. ESCRITOS DO APÓSTOLO

As Epístolas paulinas são um verdadeiro legado deste Apóstolo de alma apaixonada e apaixonante. Não são tratados de teologia, mas respostas a situações. Entretanto não se deve diminuir seu valor de transmissão do “evangelho” de Paulo. Nelas podemos enxergar a entrega incondicional de um homem a Deus, que sabe ser seu único e verdadeiro bem (Fl 3,7). As suas cartas demonstram seus sentimentos a cada comunidade ou colaborador que escreve. Seja uma exortação dura (Gálatas), profundo agradecimento (Filipenses), grande decepção (Coríntios). A mensagem principal de sua pregação é o querigma, consistindo no Cristo morto e ressuscitado conforme as Escrituras (Gl 3,1). É o apóstolo dos gentios (Gl 1,16), na sua linha universalista.
Como dito anteriormente, seus escritos ocupam a maioria – entre próprios ou da “escola paulina” – do cânon do Novo Testamento, exatamente sete. Percebemos daí a importância desse Apóstolo para a consolidação da Doutrina da Igreja Primitiva.
No quadro abaixo, fica bem visível a diferença da ordem das cartas paulinas, entre o cânon da Bíblia e composição.

SEQUÊNCIA DO CÂNON

Epístola aos Romanos

I Epístola aos Coríntios

II Epístola aos Coríntios

Epístola aos Gálatas

Epístola aos Efésios

Epístola aos Filipenses

Epístola aos Colossenses

I Epístola aos Tessalonicenses

II Epístola aos Tessalonicenses

I Epístolas a Timóteo

II Epístola a Timóteo

Epístola a Tito

Epístola a Filêmon

SEQUÊNCIA CRONOLÓGICA

I Epístola aos Tessalonicenses

II Epístola aos Tessalonicenses

Epístola aos Filipenses

Epístola a Filêmon

I Epístola aos Coríntios

Epístola aos Gálatas

II Epístola aos Coríntios

Epístola aos Romanos

Epístola aos Colossenses

Epístola aos Efésios

I Epístola a Timóteo

II Epístola a Timóteo

Epístola a Tito


As cartas de Paulo dividem-se em autênticas e inautênticas, sendo que, dentro das autênticas, existem ainda as do cativeiro. Já as inautênticas, podem ser divididas em: pastorais e não-pastorais. Veja na tabela a seguir:

AUTÊNTICAS

CATIVEIRO                                  FORA DO CATIVEIRO

Fl                                                                                  

Fm                                                                           1 Ts

                                                                              Gl

                                                               1ª parte de Cor

                                                              2ª parte de Cor

                                                                               Rm

 
 
INAUTÊNTICAS

PASTORAIS                                          NÃO-PASTORAIS

1 Tm                                                                 Ef 

2 Tm                                                                 Cl  
´    Tt                                                                2 Ts 

As Epístolas chamadas autênticas são aquelas que entre os estudiosos não há dúvida de haverem sido escritas pelo próprio Paulo, ou ainda redigidas por um colaborador, sendo ditada pelo Apóstolo.
Em contraposição temos as inautênticas, assim chamada por sérias críticas relacionadas ao pensamento teológico, estilo, situação, por vezes, contradizentes às demais Epístolas paulinas, ou claras cópias.

Obs.: Iremos fazer as considerações relativas a cada carta seguindo a ordem cronológica e não a do cânon da Sagrada Escritura.


Autênticas

Primeira Epístola aos Tessalonicenses
A carta mais antiga de São Paulo é também o mais antigo escrito do Novo Testamento, estamos falando da Primeira Epístola aos Tessalonicenses. Composta no verão do ano 50 dC, na sua primeira estadia na cidade de Corinto. O impulso para escrever esta carta fôra as notícias trazidas por Timóteo, enviado por Paulo de Atenas (At 17, 1-9). A carta contém orientações pastorais para a consolidação da fé na recém nascida comunidade. O conteúdo principal da carta é: Exortação à vida santa; A esperança dos cristãos; Instruções sobre a parusia de Cristo; Instruções para a vida em comunidade.

Segunda Epístola aos Tessalonicenses
Foi redigida, seguindo estritamente o modelo da Primeira, até mesmo em locuções menos importantes. Sendo a situação epistolar a mesma, se a mesma fosse autêntica, devia ter sido escrito imediatamente após a Primeira, por volta do ano 50 dC. Alguns conjecturam que o próprio Apóstolo a escreveu a fim de corrigir certos mal-entendidos relacionados à parusia de Cristo, exposta na Primeira epístola

Epístola aos Filipenses (Veja mais a frente)

Epístola a Filêmon
Como já anteriormente foi apontada, esta Epístola, foi escrita enquanto Paulo estava em cativeiro na cidade de Éfeso (54/55 dC). Ainda que os Atos dos Apóstolos, nem as demais Epístolas próprias não mencionem explicitamente o lugar da detenção. A carta trata de um assunto muito pessoal. Nesta época a igreja de Colossas reunia-se em casa de Filêmon. Este tinha um escravo chamado Onésimo, que fugiu para dar assistência a Paulo no cárcere. Tendo batizado Onésimo, Paulo o envia de volta portando uma carta a seu senhor, agora como irmão na fé, recomendando que o recebesse sem castigo algum.

Primeira e Segunda Epístolas aos Coríntios
Há vários problemas a respeito da composição destas duas Epístolas. A respeito das Epístolas, temos certeza que, pelo menos, há cinco cartas “autênticas”. Durante a composição das duas Epístolas, ficaram misturadas:
I. “Pré-canônica” (Cf. 1Cor 5,9-13);
II. 1Cor, juntamente com uma carta, quando Paulo estava em Éfeso (Cf. 1Cor 1,11; 7,1);
III. A “carta em lágrimas” (Cf. 2Cor 2,3.4.9;7,8.12);
IV. 2Cor, em resposta às calúnias recebidas;
V. As cartas de solidariedade com os pobres de Jerusalém (Cf. 2Cor 8–9).
Os temas específicos da Primeira Epístola podem ser listados da seguinte maneira: divisões na comunidade, abusos gritantes, a vida do cristão no mundo, a vida a comunidade e a ressurreição de Cristo e a nossa.
Os da Segunda Epístola são: Desavenças e reconciliação com os coríntios; Sobre a coleta; Autodefesa do Apóstolo.

Epístola aos Gálatas
Esta Epístola foi escrita durante a atividade de Paulo em Éfeso e arredores, aproximadamente no ano 54 dC. O principal motivo desta carta foi porque pouco tempo depois da última estada de Paulo entre os gálatas, deram ouvidos a cristãos oriundos do judaísmo, que os quis impor a Lei de Moisés, a começar pela circuncisão. Na visão do Apóstolo, isso quedaria em um retrocesso na “fé agindo pela caridade” (Gl 5,6). Podemos extrair quatro temas principais desta Epístola: O único evangelho; A liberdade cristã; A fé agindo pelo amor; Os frutos do Espírito.

Epístola aos Romanos
Datada do ano 57/58 dC, durante sua terceira viagem missionária, quando ficou três meses na Grécia, mais especificamente na cidade de Corinto, antes de voltar para Jerusalém. Diferentemente das outras obras do Apóstolo, a Epístola aos Romanos não foi motivada por circunstâncias ou questionamentos das comunidades, mas é uma verdadeira “tese” teológico-pastoral. Alguns estudiosos consideram esta Epístola como um verdadeiro “Evangelho de Paulo”. O corpo temático específico da Epístola segue a seguinte seqüência: A fé em Jesus, o Cristo; A graça e a gratuidade; A justiça salvadora e libertadora; A universalidade da salvação.


Inautênticas


Epístola aos Colossenses
Esta Epístola deve se situar certo tempo depois das grandes cartas, provavelmente durante o cárcere em Cesaréia ou Roma (60 dC). Ela foi redigida por um colaborador de Paulo, que a assinou de próprio punho (4,18). Esta mesma Epístola é destinada também aos cristãos de Laodicéia, servindo assim depois como modelo para a Epístola aos Efésios. O intento provável da carta é proteger os fiéis das pessoas que ameaçam a simplicidade do Evangelho, com especulações cósmicas e prescrições ascéticas, bem ao estilo helenístico, misturado a elementos da tradição judaica. Temas específicos: A novidade em Cristo; Cristo, tudo em todos; A solidariedade intereclesial; Amor e justiça em casa.

Epístola aos Efésios
A Epístola aos Efésios é uma carta circular com destinação a comunidade da Ásia Menor, uma província romana que tinha como capital Éfeso. Entretanto, de carta ela só possui a forma, trata-se antes de uma verdadeira homilia. O autor inspirou-se na Epístola aos Colossenses, transformando-a em uma homilia, a fim de atingir um público mais amplo. A data provável de sua composição é em torno do ano 100 dC. Da mesma forma que a Epístola aos Colossenses, ela divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira doutrinal e a segunda exortativa. Temas específicos: O Cristo glorioso, cósmico e eclesial; O “mistério de Cristo” e a salvação universal; Recapitular tudo em Cristo; Igreja e família; Ética para vivência no mundo em vez de “parusia já”.

Epístolas a Timóteo
Juntamente com a Epístola a Tito (a Epístola a Filêmon, por ser para uma pessoa em particular. Entretanto, foi escrita muito anteriormente), as Epístolas a Timóteo fazem parte do conjunto das chamadas “cartas pastorais”. Diferentemente das outras Epístolas, direcionadas a determinadas comunidades, estas são dirigidas a pessoas em particular, tratando de funções instituídas (bispos, presbíteros, diáconos, viúvas). Esta Epístola data, aproximadamente, dos primeiros decênios do século II dC. Temas específicos: Guardar o que foi confiado; A organização pastoral; Insistir oportuna e inoportunamente; A sã doutrina; Firmeza na Sagrada Escritura.

Epístola a Tito
Esta deve ser situada próxima à Primeira Epístola a Timóteo, pois têm muito em comum. Ela é a terceira das “cartas pastorais”. Tito era companheiro de Paulo na reunião com os Apóstolos em Jerusalém, sendo ele mesmo cristão oriundo do paganismo (Gl 2,1-3). A Epístola, semelhantemente a 1 Tm, contém traços mais pessoais em relação à função de Tito na cidade de Creta, onde foi bispo até sua morte (1,5). Esta Epístola data aproximadamente dos primeiros decênios do segundo século da era cristã. Temas específicos: A fé comum; A salvação; A manifestação da graça e do amor.

4. EPÍSTOLA ESPECÍFICA

Epístola aos Filipenses
Como anteriormente apontado, esta Epístola pertence ao conjunto de Epístolas chamadas “cartas do cativeiro”. Ela pressupõe um intercâmbio intenso de notícias e, portanto, uma relativa proximidade entre o lugar da prisão de Paulo e a residência dos destinatários, indicando dessa maneira sê-lo Éfeso, e não Roma ou Cesaréia. Ainda que o livro dos Atos dos Apóstolos não faça menção alguma a um cárcere de Paulo em Éfeso e as suas próprias Epístolas não falem explicitamente o lugar, contudo em 1 Cor 15,32 e 2 Cor 1,8s falam de uma perseguição e de um perigo mortal em Éfeso. O ano provável da composição da carta é 54/55 dC.
A autenticidade da Epístola foi contestada por alguns que enxergaram vários bilhetes inicialmente independentes, ou pelo menos dois (1,1–3,1 + 4,10-23 e 3,2–4,9). No entanto, a transição repentina de 3,1 para 3,2, pode ser explicada levando em conta a retomada de ditado ou de pensamento.
A Epístola aos Filipenses é dirigida aos fiéis da cidade de Filipos, a primeira comunidade fundada na Europa por Paulo, batizando pessoalmente muitos deles, enquanto estava em sua segunda viagem missionária, no ano 50 dC. Alguns dizem que esta é a comunidade favorita de Paulo. Na carta ele responde à curiosidade dos fiéis da comunidade a respeito do seu estado depois do que sofreu em Éfeso. O Apóstolo também agradece à ajuda cedida por eles, entregue por intermédio de Epafrodito. Aliás, esta é a única igreja que, tendo sido fundada por ele, aceitou mais de uma vez (4,15-16), ajuda material, seja ao partir da Macedônia ou no cativeiro.
Paulo também aproveita a carta para censurar falsos mestres, provavelmente cristãos vindos do judaísmo, que se infiltraram na comunidade eclesial. Sendo ele mesmo oriundo do judaísmo, considera tudo perda em comparação com a graça da fé, deixando-se dominar por Cristo (3,5-9). O Apóstolo começa com o tema da comunhão, o qual está do início ao fim da Epístola. Ele tem plena convicção que seu cativeiro servirá de instrumento para a ação de Deus, para a propagação do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Convida ainda os fiéis a perseverar no combate, pois a força vem de Deus (4,13). A Unidade deve ser mantida com toda a humildade a exemplo de Jesus (2,2-3.5-8).
O seguinte quadro ajuda a ter uma visão mais ampla do conteúdo da Epístola.


Tabela 4.1.
1, 1-11: Saudação e ação de graças
1, 12-26:
As dificuldades de Paulo 1, 27–2,18:
Exortação à comunidade 2, 19–3,1:
Projetos relacionados a Timóteo e Epafrodito 3,2–4,1:
Advertência contra os judaizantes 4, 2-20:
Exortações e agradecimentos
4, 21-23: Final

Temas mais caros à Epístola: Opção radical e identificação com Cristo; O; despojamento de Cristo; Alegria.


5. BIBLIOGRAFIA

• BÍBLIA SAGRADA Tradução da CNBB; 6ª Edição; Edições CNBB, Brasília-DF; Editora Canção Nova, São Paulo-SP, 2007.
• BÍBLIA DE JERUSALÉM; Editora Paulus, São Paulo-SP, 2004.
• A BÍBLIA TEB; Edições Loyola, São Paulo-SP; Paulinas, São Paulo-SP, 1996.
• BORNKAMM, G.; Paulo vida e obra; Tradução de Bertilo Brod; Editora Vozes, Petrópolis-RJ, 1992.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dia do Padre


Vocação
Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar

Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar. Sabe que pessoas Deus escolhe para a ordenação sacerdotal? Deus escolhe para serem ordenados homens que tenham duas vocações. A Igreja escolhe, porque vocação quem dá é Deus. Só Ele pode dar. Eles precisam ser chamados a ser padres e precisam com as suas vidas assegurar que são chamados a serem consagrados a Deus na oblação inteira do seu amor, o celibato.
Talvez o mundo se escandalize. Você pode pensar assim: 'Homens saudáveis poderiam ter família. Não poderiam também servir a Deus como casados?' Poderiam, mas não foi o chamado que Deus fez. Os sacerdotes não são incompletos por não se casarem. São inteiros e íntegros e felizes. Um padre ou diácono não são pessoas que abafam o seu coração e a sua capacidade de amar. Mas são homens que dilatam o seu coração na medida do coração de Jesus. Isso é ser celibatário.
Não são homens que reprimem sua capacidade de amar. Mas só dá para ser celibatário se forem capazes de amar mais do que todos os outros. Porque a medida que tem de existir no coração do padre é a medida do coração de Cristo. Nada menos.
Nosso Senhor lhes pede outra oblação. A oblação da sua liberdade. Eles são chamados a ser servidores, na pobreza.
O sacerdote também tem de viver a pobreza, a castidade e a obediência. Só pelo fato de serem ordenados eles já têm de ser modelos de pobreza, castidade e obediência, já dizia São Tomas de Aquino. Eles fazem essa entrega e uma forma linda para a qual o Senhor os chamou.
Nosso Senhor os faz servidores da Palavra, anunciadores do Evangelho. Nosso Senhor os faz servidores do Altar da Eucaristia e da caridade.
Vale a pena ser diácono, vale a pena ser padre, porque vale a pena seguir Jesus! Diácono, discípulos. E discípulos em nome d'Ele.
A vocação é essa expressão magnífica do amor de Deus por nós.
Trecho de homilia de Dom Alberto Taveira na ordenação diaconal do seminaristas da CN em 13 de janeiro de 2008