terça-feira, 1 de novembro de 2011

TEORIA DAS FONTES


JAVISTA (J)
      Origem: reino do Sul (Judá)
      Data: século X ou IX a.C (cf. Gn 27,40 e 2Rs 8,20ss).
      Finalidade: síntese teológica para responder aos problemas de seu tempo. A promessa.
      Conteúdo: problema das origens: origens do sofrimento e da morte.
        Consequências da falta original (Caim, dilúvio, Torre de Babel: antigas tradições).
        Desenvolvimento da humanidade até os Patriarcas.
        Patriarcas: da vocação de Abraão até a morte de José.
        Unidade religiosa: Yahweh torna-se o Deus de Israel.
        Universalismo: as outras nações usufruirão da bênção de Abraão  (Gn 22,18).
        Moisés, criador da religião de Israel pela revelação do Sinai.
        Antropomorfismos: Deus aparece muito próximo do homem e intervém de modo espetacular para salvá-lo.
        Código legislativo da aliança Javista (Ex 34). O Javista é usado no Gênesis, Êxodo e Números.

ELOÍSTA (E)
      Origem: reino do Norte (Israel).
      Data: tempo de Jeroboão II (século VIII).
      Conteúdo: (alguns exemplos)
        Gn 20: Abraão em Gerar.
        Gn 22: sacrifício de Isaac.
        Ex 20, 18–23,33: Código da Aliança.
        Nm 12 (elementos da “lei da pureza”); 23 (elementos da “lei de santidade”).
      Características:
        Espiritualidade de Deus: pouco antropomorfismo.
        Impossibilidade de ver Deus (Ex 20,19).
        Deus manifesta-se em sonhos.
        Desconfiança do culto muito material.
        A função essencial do sacerdócio seria fazer que os homens conheçam a vontade de Deus.
        Insistência nos deveres para com Deus, para com os outros.
        Decálogo, Código da Aliança.
        A aliança (Abraão-Moisés) é o tema central da relação entre Deus e o homem.

DEUTERONOMISTA (D)
      Origem: reino do Norte, levado pelos levitas para Jerusalém após tomada de Samaria, em 721 a.C.
      Data: por volta de 700 a.C., um trabalho de compilação das coleções jurídicas que as encaixa em discursos, dando-lhes o sentido teológico e colocando-os na boca de Moisés.
Após 586 a.C., segunda edição e introdução do Deuteronômio no conjunto javista e eloísta.
      Características: vocabulário
     Jahveh, seu Elohim.
     Apegar-se a Deus.
     Guardar os mandamentos.
     Fazer o que é bem aos olhos de Jahvéh.
      Teologia:
     Jahveh é o Deus único, o Deus espiritual.
     Nenhuma imagem sensível.
     A Lei é o sinal da Presença atuante de Deus.
     Eleição:Jahveh escolheu seu povo. Promessa condicionada: se Israel for fiel.
     Deus ciumento.
     Unidade do santuário.
     História deuteronomista:escrita à luz da doutrina de Dt: vai Josué até o fim dos Reis.
     O livro das Crônicas imitará o exemplo.

SACERDOTAL (P=PRIESTERKODEX - ALEMÃO)
      Origem: os sacerdotes exilados de Jerusalém preparam a redação de uma história santa, englobando um corpo jurídico polarizado no culto e destinado a preparar à volta à Terra Santa.
      Data: século VI
      Conteúdo:
A história sacerdotal: começa com o capítulo 1º do Gênesis (1,1 – 2,4a) e salienta as alianças de Deus com o homem.
     Aliança com Noé (Gn 9,1-17).
     Aliança com Abraão (Gn 17).
     Aliança com Moisés (Ex 25 – 31).
Indica as condições da Aliança: respeito da vida, sábado e circuncisão, pureza de culto.
     Lei dos sacrifícios (Lv 1 – 7).
     Lei da pureza (Lv 11 – 16).
     Lei de Santidade (Lv 17 – 26).
     A história sacerdotal continua nos livros de Josué, dos Juízes e de Samuel.

Alguns estudiosos dividem em partes diferentes  de acordo com critérios determinados. Alguns postulam a existência não de um Pentateuco, mas um Hexateuco; outros ainda dividem formando o chamado Tetrateuco.

HEXATEUCO: como o livro de Josué parece continuar a narração dos acontecimentos após a morte de Moisés, a qual é expressamente mencionada, alguns autores acharam que deveria juntar este livro aos precedentes formando assim um Hexateuco.

TETRATEUCO: outros críticos recentes (Nyberg, Noth-foto) pretendiam ao contrário destacar do Pentateuco o Deuteronômio que seria considerado como o prefácio de uma grande obra histórica que iria de Moisés ao exílio: Teríamos então apenas um Tetrateuco.

domingo, 23 de outubro de 2011

MANUSCRITOS BÍBLICOS


BIBLIOTECA DO PADRE CAETANO
PERTENCENTE AO INSTITUTO RELIGIOSO NOVA JERUSALÉM

1. FONTES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS PARA ESTUDOS BÍBLICOS AVANÇADOS
- PAPIROS BODMER: é um grupo de vinte e dois papiros descoberto no Egito em 1952. Eles foram assim nomeados depois que Martin Bodmer (1899 - 1971, bibliófilo, estudioso e colecionador) os comprou. Os papiros contêm segmentos dos dois Testamentos e de algumas literaturas cristãs antigas. O mais antigo, P66, data de 200 d.C. Os papiros pertencem a Biblioteca Bodmeriana, em Cologny, na Suíça. Em 2007 a Biblioteca do Vaticano adquiriu dois dos papiros, P74 e P75.

* Manuscritos gregos:

- CODEX SINAITICUM (א, 01): é uma antiga cópia da Bíblia grega (AT e NT). Pertence ao texto padrão alexandrino, foi escrito no século IV d.C em letras maiúsculas em pergaminho. Foi descoberto no século XIX no Monastério grego do Monte Sinai. Embora partes do Códice estejam espalhadas em quatro bibliotecas ao redor do mundo, a maioria do manuscrito hoje está na Biblioteca Britânica.

- CODEX VATICANUM (B, 03): é um dos manuscritos mais antigos da Bíblia grega (AT e NT). O Códice é assim nomeado porque pertence à Biblioteca do Vaticano onde foi colocado desde o século XV d.C. Está escrito em grego, com letras maiúsculas, e foi paleograficamente datado do século IV dC. Os estudiosos o consideram um dos melhores textos gregos do Novo Testamento.

- CODEX (CÓDICE) BEZAE (D, 05): é um códice do Novo Testamento datado do século V escrito em maiúsculas. Contém grande parte dos quatro Evangelhos e Atos, além de um pequeno fragmento da 3Jo, medindo 26 x 21.5 cm, com o texto grego na face esquerda e o texto latino à direita. Faz parte do texto padrão Ocidental. Durante os motins das Guerras de Religião no século XVI, quando análise textual se tornou urgente para os protestantes da Reforma, o manuscrito foi levado de Lyon em 1562 e entregue ao estudioso protestante Theodore Beza, o amigo e sucessor de Calvino que o doou para a Universidade de Cambridge, Inglaterra e ainda hoje permanece na Biblioteca daquela universidade.

** Manuscritos hebraicos

- CODEX ALLEPO EM FACSIMILE: O Códice de Aleppo (Keter Aram Tzova) é um manuscrito medieval da Bíblia hebraica. O códice foi escrito no século X d.C. Alguns testemunhos mostram que o Códice de Aleppo foi consultado por estudiosos judeus ao longo da Idade Média, e estudos modernos mostraram que ele pode ser a representação mais precisa dos princípios Masoréticos de qualquer manuscrito existente. Durante a Primeira Cruzada, a sinagoga foi saqueada e o códice foi transferido de Jerusalém para o Egito, pois os judeus pagaram um alto preço por seu resgate. Foi preservado na sinagoga do Cairo onde foi consultado por Maimonides. Em 1375, um de descendentes de Maimônides o trouxe para Aleppo, Síria, de onde vem sua atual designação. Em 1958, quando foi contrabandeado para Israel e hoje se encontra na Universidade Hebraica de Jerusalém.

- CODEX DE LENINGRADO: O Códice de Leningrad (ou Códice Leningradensis) é o manuscrito completo mais antigo da TANAK com texto masorético. É datado de 1008 de acordo com seu colofão. Atualmente seu texto está reproduzido na Bíblia Hebraica (1937) e Bíblia Hebraica Stuttgartensia (1977). Também é útil para os estudiosos como fonte primária para a recuperação das partes perdidas do Códice Aleppo. O Códice de Leningrado é assim nomeado porque foi pertence à Biblioteca Nacional da Rússia em São Petersburgo desde 1863. Depois da Revolução Russa os estudiosos o nomearam de Códice de Leningrado. A pedido da Biblioteca o termo Leningrado foi mantido até mesmo depois que o nome original da cidade foi restabelecido depois da dissolução da União Soviética.


*** Textos aramaicos (ou versões críticas para línguas modernas)

- TARGUM NEOPHYTI (BIBLINGUE): paráfrase da Bíblia hebraica em aramaico que data entre os séculos III e VIII d.C. Foi descoberto em 1949 por Alejandro Diez Macho na Biblioteca dos Neófitos em Roma.  As paráfrases do Targum Neophyti são significativamente diferentes daquelas do Targum Onkelos. Elas são consideravelmente mais expansivas. O idioma do Targum Neophyti é convencionalmente conhecido como aramaico palestino em vez do aramaico babilônico do Targum Onkelos.

- TARGUM ONQELOS (DO PENTATEUCO) EM INGLÊS E EM FRANCÊS*: é o targum oriental (babilônico) oficial da Torah.  Alguns identificam essa tradução como trabalho de Áquila de Sinope, daí o nome Onqelos.  O tradutor é único em evitar qualquer tipo de antropomorfismo para Deus. Antigamente o Targum Onqelos era recitado de cor como tradução de versículo por versículo enquanto se proclamava a Torah na sinagoga.

- TARGUM JONATHAN EM INGLÊS*: É uma paráfrase dos Nebiîm em aramaico. Seu início se deu em Jerusalém, mas foi terminado na Babilônia no início do século II d.C. O Talmud atribui a Jonatan ben Uzziel a tradução dos Nebiîm para o aramaico.

- Textos em outros idiomas antigos ou versões críticas de textos antigos

- ANTIGO TESTAMENTO EM SIRÍACO (Peshitta): é a versão padrão da Bíblia no idioma siríaco. O nome “Peshitta” significa "versão simples". O Siríaco é um dialeto, ou grupo de dialetos, do Aramaico oriental. O AT e o NT da Peshitta são dois trabalhos de tradução completamente distintos. O AT Peshitta é a parte mais antiga da literatura siríaca de todos os tempos, com a provável origem no século II d.C traduzido diretamente do hebraico anterior ao texto massorético. O NT foi traduzido do grego no século III.

- ARQUEOLOGIA DA ALTA MESOPOTÂMIA (EDIÇÃO CRÍTICA): útil para os estudos da Torah e dos Livros Históricos.

- RAS SHAMRA: A atual Ras Shamra chamava-se Ugarit. Foi uma antiga e cosmopolita cidade portuária, situada na costa mediterrânea do norte da Síria. O apogeu da cidade ocorreu de cerca de 1450 a.C até 1200 a.C. Em 1928 um camponês abriu acidentalmente uma tumba antiga enquanto arava o campo. As escavações descobriram um palácio real de 90 quartos e duas bibliotecas que continham textos diplomáticos, legais, econômicos, administrativos, acadêmicos, literários e religiosos. No topo do morro onde a cidade foi construída estavam dois templos principais: um dedicado a Baal e um a Dagon.

- BÍBLIA KITTEL: O hebraísta Rudolf Kittel publicou na Alemanha, duas edições de Bíblia Hebraica, sendo a primeira em 1906 e a segunda com pequenas revisões em 1913. Mais tarde, quando se tornaram disponíveis os textos massoréticos do Códice de Leningrado, Kittel  produzir uma terceira edição da Bíblia Hebraica, que teve um texto hebraico um pouco diferente e algumas notas de rodapé revisadas. Foi a primeira vez que uma Bíblia levou em conta o texto do Códice de Leningrado.

- BÍBLIA STUTTGARTENSIA: totalmente baseada no Códice de Leningrado publicada pela Sociedade Bíblica Alemã em Stuttgart. É uma revisão da terceira edição da Bíblia Hebraica editada por Rudolf Kittel. As notas de rodapé foram totalmente revisadas. Essas notas foram sendo acrescentadas aos poucos desde 1968.

- SEPTUAGINTA: A tradução do Antigo Testamento para o grego, acrescida de mais sete livros originariamente escritos em grego. É muito importante para os estudos bíblicos porque em vários casos, os pergaminhos do mar morto estão de acordo com a LXX e diferentes do texto massorético. Os mais antigos códices da LXX (Vaticanus e Sinaiticus) datam do século IV AD. A edição mais importante é a romana ou sistina, que reproduz exclusivamente o Codex Vaticanus. Foi publicada pelo Cardeal Caraffa, com a ajuda dos vários peritos, em 1586, autorizado pelo Papa Sisto V, para ajudar nas revisões em preparação da Vulgata Latina, requisitada pelo Concílio de Trento.


- BÍBLIA POLIGLOTA COMPLUTENSE: é a edição oficial da LXX, baseada em manuscritos atualmente perdidos, é considerada bastante próxima aos mais antigos manuscritos.

- VETUS LATINA: é um nome coletivo dado aos textos bíblicos em latim que foi traduzido antes da Vulgata de São Jerônimo e se tornou a Bíblia padrão para os cristãos ocidentais de língua latina. A expressão Vetus Latina significa Bíblia Latina Velha (em oposição à Vulgata) e não que tenha sido escrita em latim antigo, ao contrário  trata-se de latim recente.

2. FERRAMENTAS PARA ESTUDOS AVANÇADOS:
- SINOPSIS DOS 4 EVANGELHOS, CONCORDÂNCIA, APARATO CRÍTICO.


3. LITERATURA RABÍNICA
Talmud e Midrash

Ir Aila Luzia, NJ (Doutora em Bíblia, Filósofa, Teóloga, professora da Faculdade Católica de Fortaleza e superiora do ramo feminino do Instituto Religioso Nova Jerusalém)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Diálogos Universitários (Bíblia e Ciência)



               Na tarde de ontem no auditório do Curso de História da Universidade Federal do Ceará, campus do Benfica CH 2, realizou-se o primeiro encontro do projeto Diálogos Universitários, promovido pelo Setor Universidades da Arquidiocese de Fortaleza. O tema abordado foi Bíblia e Ciência e foi facilitado pela Prof. Dra. Ir Aila Luzia, NJ, superiora do ramo feminino do Instituto Religioso Nova Jerusalém e professora da Faculdade Católica de Fortaleza. O encontro contou também com a presença do Pe Laércio, SJ assessor do Setor na Arquidiocese, também os membros do Setor, do Ministério Universidades Renovadas (MUR) da Renovação Carismática Católica de Fortaleza, membros do Instituto Religioso Nova Jerusalém, dos grupos de universitários das Paróquias e alunos universitários. Foi um momento de desmistificar a visão antagônica da Bíblia e da Ciência, como se houvesse uma concorrência entre ambas. A ciência dá sua contribuição para enterder melhor a Bíblia, no entanto não tem autoridade para dar fundamento de fé, isso cabe à Teologia.


            Abaixo disponibilizamos os links para baixar o áudio da palestra e do momento de perguntas:


http://www.4shared.com/audio/9zN0lglw/Bblia_e_Cincia_-_Dvidas_-_Ir_A.html

Postado por Ir Franklins Marques Torres, NJ [Licenciado em Química pela Universidade Federal do Ceará e noviço do Instituto Religioso Nova Jerusalém]

sábado, 1 de outubro de 2011

Manuscritos do Mar Morto digitalizados

O Google "aprontou" de novo. Nesta segunda-feira, em seu blog, o gigante das buscas anunciou a criação do Dead Sea Scrolls Online, ou, em tradução livre para o português, Manuscritos do Mar Morto Online. Em linhas gerais, o projeto reúne os cinco Manuscritos do Mar Morto digitalizado e acessível a qualquer pessoa do mundo através da internet.
O site foi desenvolvido em parceria com o Museu de Israel, em Jerusalém, e seu lançamento marca também o início do novo calendário hebraico. De acordo com a AFP, o custo total do projeto foi de US$ 3,5 milhões financiados pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pela divisão de pesquisa e desenvolvimento do Google local.
As fotografias em alta resolução feitas por Ardon Bar-Hamma dos pergaminhos tem até 1.200 megapixels, resultando em uma imagem até 200 vezes maior do que aquilo que se está acostumado a fazer com as câmeras amadoras. Tanta precisão possibilita que o internauta veja os mais minuciosos detalhes dos manuscritos. É possível também deixar no site um comentário sobre o trecho visitado.
Além de poder navegar no Grande Rolo de Isaías por capítulo e versículo, o livro mais conhecido e que pode ser encontrado em várias bíblias por exemplo, o usuário pode clicar diretamente no texto hebraico e obter uma tradução em inglês. Graças ao projeto do Google, frases dos manuscritos poderão ser encontradas em resultados de pesquisa na web. Para conhecer melhor a novidade, acesse http://dss.collections.imj.org.il/
Escritos entre o terceiro e o primeiro séculos antes de Cristo (a.C.), os Manuscritos do Mar Morto são os mais antigos documentos bíblicos já conhecidos. Em 68 a.C. eles teriam sido escondidos em 11 cavernas do deserto da Judéia, às margens do Mar Morto para serem protegidos do exército romano. Eles só seriam encontrados novamente em 1947, quando um pastor beduíno jogou uma pedra em uma caverna e percebeu que havia algo lá dentro.
Desde 1965, os pergaminhos estão expostos no Santuário do Livro do Museu de Israel, em Jerusalém. Os manuscritos oferecem uma visão crítica sobre a vida e a religião na antiga Jerusalém, incluindo o nascimento do cristianismo. 
Fonte: http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5377206-EI12884,00-Digitalizados+Manuscritos+do+Mar+Morto+ganham+site+do+Google.html#tarticle

domingo, 25 de setembro de 2011

QUEM FOI SÃO JERÔNIMO?

 
              O mês de setembro é dedicado a Bíblia porque no dia 30 é memória de Eusébio Sofrônio, chamado Jerônimo, nasceu perto de Aquiléia, em 342 dC. Santo, e um dos maiores doutores da Igreja (Doutor Máximo), foi canonizado não pela sua santidade, mas pelos serviços que prestou à Igreja, traduzindo a Bíblia do hebraico e do grego para o latim, sendo este o idioma vigente da Roma de sua época (tradução conhecida como Vulgata), a pedido do papa Dâmaso, de quem foi secretário. Seu texto é considerado o oficial da Igreja Católica.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

HISTÓRICO DO ESTUDO DA BÍBLIA NA IGREJA CATÓLICA

Século XVI:
A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão que ocorreu no início do século XVI por Martinho Lutero quando, através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas. Entre elas, destacamos aquela que nos interessa: sola scripturas. Como esta afirmação, Lutero quer dizer que somente a Escritura pode ser considerada como Revelação Inspirada, não podendo existir outra fonte, ainda que baseada na Escritura. Portanto, nem a Tradição em nem o Magistério eclesial são inspirados, somente a Escritura.
O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, foi o 19º Concílio Ecumênico. É considerado um dos três concílios fundamentais na Igreja Católica.  Foi convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade da fé e a disciplina eclesiástica, no contexto da Reforma da Igreja Católica e a reação à divisão então vivida na Europa devido à Reforma Protestante, razão pela qual é denominado também de Concílio da “Contra-Reforma”. Como os cristãos seguidores de Lutero ficaram somente com a Escritura como única fonte de Revelação, então a Igreja teve de reafirmar sua doutrina sobre os sacramentos. Assim, os protestantes se tornaram apegados somente à Bíblia, enquanto que os católicos aos sacramentos e o estudo da Doutrina (Catecismo). A Bíblia se tornou para os católicos um “perigoso” livro, mesmo sendo santo, poderia ser fonte de confusão.

Século XIX:
Após o Concílio de Trento, a tendência ao esfacelamento dos valores da Idade Média mais e mais se fez sentir. A Revolução Francesa (1789) significou o brado da razão e do racionalismo contra a fé. Seguiu-se-lhe o século XIX , que foi marcado pelo materialismo e o ateísmo fora da Igreja, e dentro da Igreja pelos ecos das tendências conciliaristas e do separatismo, que solapavam a autoridade papal e a unidade da Igreja. Foram esses fatores que induziram o Papa Pio IX (1846-78), aconselhado por eminentes figuras do episcopado e do laicato católicos, a convocar o 20º Concílio Ecumênico para o Vaticano. A grande assembléia de 764 padres conciliares se reuniu de 8/12/1869 a 20/10/1870, tendo por objetivo fazer frente ao nacionalismo do século XX, como o Concílio de Trento fizera ao protestantismo do século XVI. Diga-se de passagem, que foi o próprio protestantismo que contribuiu, e muito, para a difusão de um pensamento racionalista, cavando para si uma sepultura.
Por causa de tudo isto o Papa Leão XII, em 1893 lança a Encíclica Providentissimus Deus a respeito do estudo da Bíblia na Igreja Católica, a fim de responder à crescente insurgeição de um racionalismo que não aceita a Bíblia como um livro inspirado, pois revelava contradições com as recentes descobertas científicas. Portanto, a Bíblia não poderia ser Palavra de Deus inspirada porque encontravam-se erros científicos.

Século XX:
Um documento lançado em 1920 – a Encíclica Espíritus Paraclitus – por Bento XV, por ocasião do 15º centenário da morte da São Jerônimo retoma, além de um histórico da vida do Doutor Máximo, o tema do estudo das Sagradas Escrituras, continuando o pensamento já presente na Providentissimus Deus.
Também em 1943 foi lançada outra carta Encíclica chamada Divino afflante spiritu de Pio XII por ocasião do 50º aniversário da Providentissimus Deus, na qual percebe-se uma grande abertura ao estudo profundo da Bíblia. Uma abertura que não se tinha notado na Igreja até então, pois se tinha mantido muito reservada por causa de sua prudência; em relação aos tristes fatos ocorridos no início do século na École Biblique. O Pe. Loisy, O.P. estudando o Antigo Testamento, descobriu que a história da criação já estava presente em mitos antigos da Babilônia, sem levar em conta que a Bíblia reinterpreta estes mitos à luz da fé no verdadeiro Deus, professada por Israel, concluiu que a Bíblia não era inspirada e perdeu a fé. Um grande escândalo que paralizou os estudos bíblicos por quase 50 anos. Os dominicanos da École Biblique et Archéologique Française de Jérusalem (EBAF), inclusive o fundador Pe. Marie-Joseph Lagrange, foram proibidos de estudar o Antigo Testamento, tendo que se contentar só com o Novo Testamento.
Por isso, a Divino afflante Spiritu, juntamente com a carta da Pontifícia Comissão Bíblica ao cardeal Suhad (Arcebispo de Paris – a escola é francesa, não esqueçamos) representaram uma grande reabertura aos estudos bíblicos na Igreja Católica.
O Concílio Vaticano II, XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, foi convocado no dia 25 de Dezembro de 1961, através da bula papal Humanae salutis, pelo Papa João XXIII. Este mesmo Papa inaugurou-o, a ritmo extraordinário, no dia 11 de Outubro de 1962. O Concílio, realizado em 4 sessões, só terminou no dia 8 de Dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI. Deste concílio temos a Constituição Dogmática Dei Verbum, que foi a resposta esperada desde o Concílio de Trento a respeito do estudo da Bíblia.
Em 1993 a Pontifícia Comissão Bíblica, por ocasião do centenário da Providentissimus Deus de Leão XII e cinquentenário da Divino afflante spiritu de Pio XII, o então cardeal Joseph Ratzinger entrega para a promulgação de João Paulo II. O título do documento é A Interpretação da Bíblia na Igreja.
Século XXI:
O último documento a respeito do estudo das Sagradas Escrituras foi a Exotação Pós-Sinodal Verbum Domini do Papa Bento XVI em 2010, a qual é o documento final do Sínodo dos Bispos realizado em 2008 no Vaticano. A partir desse pequeno trecho do documento podemos aurir o que a Igreja espera de todo crente: “Desejo uma vez mais exortar todo o Povo de Deus, os Pastores, a pessoas consagradas e os fiéis leigos a empenharem-se para que as Sagradas Escrituras se lhes tornem cada vez mais familiares. Nunca devemos esquecer que, na base de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus, anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja” (Bento XVI, Exortação Pós-Sinodal Verbum Domini, N. 121, p. 213). É importante frisar que desde o Concílio Vaticano II se esperava um sínodo sobre a Palavra de Deus.



Elaboradores: Ir. Pe. Lauro Freire Alves Filho, NJ e Ir. Franklins Marques Torres, NJ