quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Espiritualidade do Serviço


           Para fazer uma reflexão a respeito do que significa ser membro de um ministério, tomemos a seguinte perícope paulina: Rm 12, 1-13.
 
I – Oferta a Deus (vv. 1-2)
II – Humildade (v. 3)
III – Unidade/Caridade (vv. 4-13)

ש      Oferta a Deus
Antes de tudo para uma verdadeira vivência e atuação em um ministério, é preciso ter a clara consciêcia de que somos chamados, escolhidos, por Deus. Não fomos nós que escolhemos o ministério que gostaríamos de servir, mas o próprio Deus se encarrega de nos chamar e capacitar-nos para o seu exercício (cf. Jo 15, 16).
Servir em um ministério é sempre estar a serviço da Palavra, ser canais de conversão. O ministério é lugar de conversão e não autopromoção, nós somos servos e não estrelas (cf. Mt 20, 25-25; Jo 13, 13-15). O nosso objetivo é evangelizar e não fazer show ou grandes eventos.

ש      Humildade
A humildade é o conhecimento de quem verdadeiramente eu sou: minhas potencialidades e limitações. É não ser o centro da própria existência nem de qualquer outro. É Caminhar aprendendo com o outro e contribuir para que o outro cresca, com a certeza de sempre estar debaixo do olhar de Deus, que me ama exatamente como sou.
Como ministros, precisamos buscar sempre aperfeiçoar-nos nos talentos que Deus nos concedeu (cf. Mt 25, 14-30), no entanto, nunca descuidar do excencial, isto é, a unção de Deus (cf. Lc 10,38-42). Devemos ter a consciência que não somos insubstituíveis no ministério e alegrar-nos quando o Senhor manda alguém que faz o que temos a capacidade de fazer.

ש      Unidade/Caridade
Todo dom que o Senhor nos dá é para ser empregado em favor da Igreja (1Cor 12, 7; Catec. 799; 951). Para que a unidade seja preservada é necessário que haja obediência aos coordenadores (1Cor 14, 32-33.37-38). Apenas a perseverança na caridade vai sustentar o seu ministério, pois exatamente como o próprio nome indica,é serviço, e não status.
Diante de tudo o que refletimos, podemos abstrair algumas atitudes que o ministro poderia tomar para obter êxito em seu serviço: disponibilidade, fervor, alegria, atenção às nescessidades do outro e vida de oração (cf. Rm 12, 11-13).


[Elaborado por Ir Franklins Marques Torres, NJ (noviço).]

domingo, 21 de agosto de 2011

Entrevista com Ir Aila Luzia, NJ no programa A Luz na TV de Mossoró-RN


O Sacramento da Eucaristia




Þ  Definição

A palavra eucaristia deriva da palavra grega eucharistén – “dar graças”. Portanto, eucaristia significa “ação de graças”. O contexto retoma a beraká judaica.
“O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.” (Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, N. 47).

O Santíssimo Sacramento eucarístico tem duas dimensões inseparáveis e complementares: é sacrifício e ceia.

Þ  Eucaristia Como Ceia

A refeição é de importância capital para o homem bíblico, visto ser um povo de economia basicamente agro-pecuária, que vivia em lugar de condições climáticas duras. Ela possui dois sentidos, sendo o segundo o que mais se destaca:
·         Felicidade
Os autores mencionam fartos cardápios com os quais ninguém se privou, um dia, de sonhar. É alegoria da era messiânica um banquete de manjares e vinho novo (Is 25, 6; Jr 31, 12.14).
·         Unidade
É à mesa que a célula familiar toma consciência de si mesma. No entanto, a família não é o único grupo que se reúne e se encontra à mesa; outras comunidades humanas fazem a mesma experiência (Sl 128, 3; Jz 1, 7; 1Sm 9, 22-24).
Devemos ir mais longe ainda. Visto que, o ato de comer se acha estreitamente ligado à subsistência do indivíduo e do grupo, este gesto se reveste de um significado que ultrapassa seu alcance biológico e até social. A refeição acaba finalmente por adquirir uma dimensão metafísica e um valor religioso.
O pão é necessário à vida; o homem depende, pois, de seu alimento, mas também daquele que o proporciona. E a relação entre o pão e a palavra é tão estreita no Antigo Testamento porque, obrigado pela natureza a receber o pão que Deus lhe dá, o homem toma consciência de sua dependência e se torna disposto a aceitar Palavra.

Þ  Eucaristia Como Sacrifício

Atualmente a maioria dos exegetas estão convencidos de que a festa da Páscoa não começou de modo absoluto no Êxodo, mas que, nesses momentos históricos, revesti-se de uma nova significação. Existia provavelmente, no tempo dos patriarcas, uma festa que já se chamava pesah: quando os nômades, na primavera, se preparavam para deixar seus acampamentos em busca de outras pastagens, ofereciam às divindades um sacrifício para pedir a fecundidade para os rebanhos e, de modo mais geral, a proteção contra os poderes “exterminadores” simbolizados pelo “flagelo destruidor” (Ex 12,13). Os seres mais ameaçados eram os recém nascidos que, pela primeira vez na vida, empreendiam uma viagem uma tanto arriscada. Então, para conjurar a violência ameaçadora, separava-se um desses animais nascidos a pouco, a fim de lhe conferir o poder sagrado, e depois o chefe da família o imolava. O sangue do animal servia de sinal de reconhecimento para o flagelo destruidor, que poupava as tendas marcadas com o sangue do animal: essa talvez, a origem da palavra “páscoa”; com efeito, em hebraico existe um verbo pesah que significa “mancar”, portanto, “saltar” por cima das tendas e “poupar”.
Toda a força libertadora, salvífica e espiritual da antiga páscoa judaica passaram à páscoa cristã que na Eucaristia encontra sua plena realização, mas com a novidade fundadora e componente básico, o próprio Cristo, o qual lhe deu um novo significado, assumindo e continuado o anterior. O rito pascal judeu prolongava no tempo a páscoa do Êxodo que era a libertação de Israel e sua eleição como povo santo.
Agora, a Igreja vê no sacrifício pascal de Cristo a plena e total libertação do homem, sua redenção da escravidão, sua elevação à santidade. A Igreja, perpetuando no tempo essa páscoa, antiga e nova, recolheu todo seu potencial libertador, oferecendo-o a todo homem. E como a páscoa judaica consistia em um rito, e a cada ano se faz memorial dela, assim ocorre com a páscoa: morte-ressureição de Cristo, ritualizada sacramentalmente em nossa Eucaristia como sacrifício perpétuo.

Þ  O Ágape

O relato mais antigo que possuímos da ceia do Senhor, é a perícope paulina 1Cor 11, 17-34. Um texto bem específico de uma situação particular, mas que nos pode dar uma visão segura de como eram a “fração do pão” na era apostólica. Muitas vezes no Antigo Testamento se denuncia um culto invalidado pela situação de injustiça dos participantes (Is 58 denuncia o jejum; Jr 7 a transformação do Templo em “covil de ladrões”) e de modo semelhante, a falta de caridade invalida a eucaristia cristã. Pode até haver sim, uma reunião comunitária, mas não há “banquete do Senhor”.
A “ceia do Senhor”, celebrada nas casas particulares e apropriadas, costumava ser precedida de uma ceia em comum, à qual os bastados levavam suas provisões. Sem esperar que chegassem os mais necessitados e atrasados, comiam e bebiam, de modo que aos pobres restavam as sobras. Nesse ponto, com uns satisfeitos e até ébrios e outros famintos, procediam-se à celebração eucarística. E esta era ocasião de descriminação entre pobres e abastados, com fome e humilhação dos necessitados. Uma divisão grave, na qual culminavam as facções e processos mencionados anteriormente nesta epístola (1, 10-17; 6, 1-11). Seria melhor cada um comer em sua casa e depois reunir-se para a liturgia (melhor ainda esperar e partilhar).

Þ  Conclusão

“Enquanto durar a sua peregrinação aqui na terra, a Igreja é chamada a conservar e promover tanto a comunhão com a Trindade divina como a comunhão entre os fieis. Para isso, possui a Palavra e os sacramentos, sobretudo a Eucaristia; desta “vive e cresce”, e ao mesmo tempo exprime-se nela. Não foi sem razão que o termo comunhão se tornou um dos nomes específicos deste sacramento excelso.” (Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia de João Paulo II, N.34, pág. 47).

Ir Franklins Marques Torres, NJ (noviço)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Fruto do Silêncio



Verdadeiramente “o silêncio engravida as palavras”. Pois quando damos a oportunidade a Deus e também a nós mesmos de responder no nosso silêncio, percebemos o quanto queremos ser os donos da verdade, enquanto nos escondemos de nós mesmos, da nossa própria realidade, porque não temos coragem de encarar a dura realidade de nossos limites e paixões.
O silêncio nos põe frente à nossa própria realidade e também diante do olhar perscrutante de Deus. Não há como esconder-se quando se silencia, não só a boca, mas, sobretudo, o coração. No barulho encontramos sempre justificativas e desculpas para o nosso medo de olhar para nós mesmos. Até mesmo a oração e a disciplina podem tornar-se apenas fuga daquilo que o silêncio pode me dizer da minha vida, meus relacionamentos (comigo mesmo, com Deus e com o outro). Obviamente, não se cresce na vida de oração. A ascese torna-se infecunda e cansativa; mais um fardo que libertação.
É uma arte estar atento e dialogar consigo mesmo, com seus desejos mais profundos, com suas fraquezas e paixões, por vezes reprimidas. No entanto, temos um aliado fundamental nesta caminhada de crescimento na vida espiritual: o amor de Deus. É o amor de Deus que me faz olhar para mim mesmo com correta estima, sem julgamentos e com tranquilidade. Quando nos sentimos profundamente amados por Deus, pouco ou nada nos importa o que os outros pensam de mim, pois, a consciência repousa na paz que brota da certeza de que somos aceitos por Deus exatamente como somos.
Por causa desta justa estima de si, somos capazes de acolher e aceitar nossos limites e pecados com serenidade, porque isso não diminui em nada a certeza do amor infinito de Deus por nós, mas esses mesmos limites transformam-se em base para a construção de uma espiritualidade sólida e realista, bem humana. Com isso, até nossos relacionamentos são enriquecidos. Porque aceitamos a nós mesmos, tornamo-nos capazes de aceitar e respeitar a particularidade do outro. As amizades são fortalecidas à medida que fortalecemos nosso relacionamento com Deus. O nosso coração se abre ao outro à medida que me abro a Deus e viceversa. Eu me abro a Deus à medida que amadureço nas minhas amizades.
O coração é educado na escola do amor. Ao doar-se, se abre também para receber o “dom” e “mistério do outro”. E isso não se dá nos cumes da santidade, mas no cotidiano das relações com aqueles que Deus nos dá a oportunidade de conviver. Preciso descer até o mais profundo de mim se quero subir até os cumes do céu. É na realidade de quem sou que Deus vai construindo seu santuário.
Assim, a virtude que sustenta o homem neste caminho é a humildade. Pois a humildade é o conhecimento de quem verdadeiramente sou: minhas potencialidades e limitações. É não ser o centro da existência própria nem da de qualquer outro. É caminhar aprendendo com o outro e contribuindo também para que o outro cresça, com a certeza de sempre estar debaixo do olhar de Deus, que me ama exatamente como sou. É não ter a pretensão de possuir a verdade, mas estar aberto a compreendê-la em todas as circunstâncias, onde quer que ela se apresente à alma.

domingo, 31 de julho de 2011

Direito à vida!

 
Na manhã de hoje no salão externo da igreja matriz de Cristo Redentor, no Grupo de oração para universitários da paróquia, tivemos um momento muito importante e esclarecedor a respeito de um assunto ainda tabu na nosso sociedade, mas que precisamos estar bastante informados: o ABORTO.
 
Elisa Rafaela, membro do grupo de oração, apresentou seu trabalho monográfico para os irmãos de grupo e alguns convidados, dentre eles alguns membros do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Foi um momento de debate e oração diante de uma realidade tão controversa e até cruel de banalização da vida humana.
 
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

INTRODUÇÃO AO PENTATEUCO

 ¨  Unidade e diversidade do Pentateuco
Os cinco primeiros livros da Bíblia formam o que se chama na tradição cristã – grega, depois latina – o Pentateuco. É uma palavra grega que designava os “cinco estojos” que encerravam os volumes ou rolos, as cinco partes daquilo que se chama em hebraico a Torá, palavra habitualmente traduzida por “Lei”.
Os títulos dos cinco livros do Pentateuco vêm do grego. Procuram dar uma idéia esquemática do conteúdo: as origens, Gênesis; a saída do Egito, Êxodo. O nome do Levítico corresponde ao papel dos filhos de Levi na legislação cultual, o dos Números provém dos recenseamentos das tribos; o Deuteronômio (em grego, a “segunda lei”) é como uma retomada, uma repetição da lei. A tradição judaica se contenta com designar cada um dos cinco livros pela sua primeira palavra hebraica mais importante (bereshit; shemôt; vayqra; bemidbar; debarym)
A divisão em cinco partes não quebra a unidade do conjunto, manifestada pela continuidade de um livro no outro. A atual divisão em capítulos, que data da Idade Média, pretende dar ao conjunto uma divisão mais ou menos regular para a comodidade da leitura e do estudo. Não se deve procurar no Pentateuco a composição rigorosa de um código moderno de leis ou de um tratado de teologia; e, apesar de seguir uma ordem cronológica, também não é um manual de história.

¨  A lei e a história
Muitos textos narrativos do Pentateuco têm por finalidade valorizar uma lei; outros relatos justificam uma instituição. A tradição judaica é mais sensível ao aspecto legislativo da Torá; a tradição cristã muitas vezes conservou mais os aspectos narrativos, a ponto de ver neles ma história da humanidade salva por Deus. Não há leis e narrativas, mas uma lei que é, ao mesmo tempo, história: a história e a lei do povo escolhido e constituído por Deus.

¨  Uma composição por etapas
Sem perder de vista a unidade do conjunto do Pentateuco, o leitor atento se surpreenderá com certos aspectos literários que traem uma composição complexa. Longe de empobrecer a leitura, essa atenção dispensada à diversidade de estilos e testemunhos contribui para revelar os cinco livros como uma suma na qual se fixaram as confissões de fé de Israel, cada qual à sua maneira, no decorrer dos séculos.
Desta forma, certos textos legislativos se repetem em contextos diferentes; o mesmo vale para as narrações. Não se trata de simples repetições. Cada um dos textos paralelos possui uma marca original. Também pode acontecer que uma narrativa desdobrada desse modo se apresente não só sob a forma de duas narrações distintas, mas como uma única narração na qual duas tradições se mesclam.
Tantas particularidades de estilo não se explicam apenas pela diferença de objetos tratados, mas também pelas maneiras distintas de confessar e de viver a fé no Deus único. Todos esses fenômenos literários deixam transparecer um longo processo de composição, até se chegar ao conjunto acabado e definitivamente fixado (séc. V a.C.).
Tradições religiosas e tradições literárias resultaram assim na formação do nosso Pentateuco. Hoje se concorda em reconhecer que quatro correntes principais contribuíram para a formação do conjunto, cada uma das quais projetando sua própria perspectiva sobre a história da aliança e de suas instituições, são elas: a tradição sacerdotal (P); a tradição deuteronômica (D); a tradição javista (J); a tradição eloísta (E).

¨  A composição definitiva do Pentateuco
A unidade do povo de Deus, fundada sobre a unicidade do próprio Deus, tornou indispensável conjunção gradativa dessas diversas formas de tradição. Várias gerações de redatores se dedicaram a isso: eles remanejaram e retocaram o conjunto, mas a preocupação de nada desperdiçar da herança dos pais levou-os a respeitar, o mais possível, a especificidade dos testemunhos antigos.
Esta hipótese de composição do Pentateuco proporciona uma leitura em profundidade dessa vasta obra, põe em foco sua mensagem como abordagens diversas do mesmo mistério; J, mais psicológica; E, mais preocupada em atestar a transcendência; P, mais atenta às realidades jurídicas e cultuais; D, valorizando a eleição e o amor.

¨  O sentido religioso de uma história
O Pentateuco se apresenta como história e lei. Não tem a forma de um tratado dogmático. O Pentateuco nos põe em face de um povo que diz como Deus o constituiu, protegeu e conduziu para um destino prodigioso. É na relação que Deus mantém com seu povo e, através dele, com a humanidade inteira que se encontra o sentido deste conjunto literário. A Lei é a pedagogia de Deus, que constitui um povo para si, moldando-o à sua imagem (“Deveis ser santo porque eu sou santo”, Lv 11,45), e, enfim, a expressão do pensamento religioso desse mesmo povo.

¨  A leitura cristã do Pentateuco
Com a dispersão do povo de Israel, o livro da Lei apareceu como fundamento de sua unidade, como aquilo que fazia dele um povo. A insistência recaiu sobre os aspectos jurídicos: é a fidelidade à Torá, uma Lei reguladora da vida cotidiana, que permite aos judeus dispersos serem ainda um povo.
Para o cristianismo, as promessas do Antigo Testamento já se realizaram, seu cumprimento deu-se em Cristo e a nova aliança consumou a antiga. Os acontecimentos atestados pelo Pentateuco anunciam e prefiguram a obra que Deus realizou por Cristo na Igreja, do mesmo modo que as instituições da antiga aliança prepararam e delinearam as instituições da nova. Para o Cristão, o que se diz do Templo e da liturgia aplica-se ao corpo de Cristo, novo santuário sobre o qual resplandece a glória de Deus (Jo 2,21).

Fonte: Bíblia TEB