segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dia do Padre


Vocação
Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar

Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar. Sabe que pessoas Deus escolhe para a ordenação sacerdotal? Deus escolhe para serem ordenados homens que tenham duas vocações. A Igreja escolhe, porque vocação quem dá é Deus. Só Ele pode dar. Eles precisam ser chamados a ser padres e precisam com as suas vidas assegurar que são chamados a serem consagrados a Deus na oblação inteira do seu amor, o celibato.
Talvez o mundo se escandalize. Você pode pensar assim: 'Homens saudáveis poderiam ter família. Não poderiam também servir a Deus como casados?' Poderiam, mas não foi o chamado que Deus fez. Os sacerdotes não são incompletos por não se casarem. São inteiros e íntegros e felizes. Um padre ou diácono não são pessoas que abafam o seu coração e a sua capacidade de amar. Mas são homens que dilatam o seu coração na medida do coração de Jesus. Isso é ser celibatário.
Não são homens que reprimem sua capacidade de amar. Mas só dá para ser celibatário se forem capazes de amar mais do que todos os outros. Porque a medida que tem de existir no coração do padre é a medida do coração de Cristo. Nada menos.
Nosso Senhor lhes pede outra oblação. A oblação da sua liberdade. Eles são chamados a ser servidores, na pobreza.
O sacerdote também tem de viver a pobreza, a castidade e a obediência. Só pelo fato de serem ordenados eles já têm de ser modelos de pobreza, castidade e obediência, já dizia São Tomas de Aquino. Eles fazem essa entrega e uma forma linda para a qual o Senhor os chamou.
Nosso Senhor os faz servidores da Palavra, anunciadores do Evangelho. Nosso Senhor os faz servidores do Altar da Eucaristia e da caridade.
Vale a pena ser diácono, vale a pena ser padre, porque vale a pena seguir Jesus! Diácono, discípulos. E discípulos em nome d'Ele.
A vocação é essa expressão magnífica do amor de Deus por nós.
Trecho de homilia de Dom Alberto Taveira na ordenação diaconal do seminaristas da CN em 13 de janeiro de 2008

domingo, 18 de julho de 2010

A mais antiga oração à Virgem Mãe de Deus!


 “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”
Esta é a mais antiga oração à Virgem Maria que se conhece. A origem se deve ao especialista em papirologia Edgar Label , da Universidade de Oxford, que dedicou a sua vida ao estudo de papiros encontrados no Egito. Estes papiros, conservados pelo clima seco do Egito são fonte de grandes descobertas, servindo para datar muitos textos antigos que foram conservados em cópias e traduções.
Um destes papiros, descoberto próximo da antiga cidade egípcia de Oxirrinco (foto acima), continha uma oração à Virgem, que ainda hoje se utiliza em várias liturgias, e é o texto mais antigo que se conhece com uma oração litúrgica dedicada a ela, e usada na liturgia de Natal da Igreja Copta até hoje.
Conhecida como “Sub Tuum Praesidium”, é escrita em grego, e foi escrita aproximadamente no ano 250 depois de Cristo. Ainda hoje é utilizada no Rito Bizantino nas igrejas ortodoxas do leste e nas igrejas católicas do leste, como hino final das Vésperas na Quaresma.
Na versão eslava o hino é também utilizado fora da Quaresma, e se acrescentou uma invocação: Santa Mãe de Deus salvai-nos.
No Rito Latino, da Igreja Católica, é usada como Antífona do Nunc Dimitis (do Canto de Simeão) nas Completas do Pequeno Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria, e na Liturgia das Horas pode ser utilizada como Antífona Mariana ao final das Completas, fora do período da Páscoa.
A versão latina serviu de inspiração a muitos compositores, entre eles Antonio Salieri e Mozart.
Destaque-se o termo “Thetokos” (Mãe de Deus), que apesar de já ser utilizado nesta época do papiro ( 250da nossa era), só foi solenemente aceito no Concílio de Éfeso, dois séculos depois, contra o parecer de Nestório.
Impressiona que ainda hoje podemos orar com uma antiga oração dos primeiros cristãos dedicados à Virgem Maria, e seu texto recorda as perseguições da época, e por isso pede a proteção contra os perigos (em algumas línguas foi traduzido por “perseguições”, “tribulações”). É uma boa oração para rezarmos e nos lembrarmos dos que hoje são perseguidos por causa da fé, da justiça, etc.
Bibliografia: 

  • G. Giamberardini. “ Sub tuum praesidium” e il titulo Theotokos nellla tradizioni egiziana. En “ Marianum” 31( 1969) 350-351.

  • Stegmuller, O. “Sub Tuum Praesidium”. Bemerkungen zur altesten Uberlieferung. In “Zeitschrift fur kath. Teol.” 74(1952) 76-82 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vaticano II: ruptura ou continuidade?

Desenvolveu-se a impressão que a liturgia seja “feita”, que não seja algo que existe antes de nós, algo que nos é “dado”, mas que, ao invés, depende das nossas decisões (Observação: A observação de Ratzinger é perfeita. Hoje, entrou na consciência de muitas comunidades a idéia totalmente errada segundo a qual a liturgia é obra da nossa criatividade e tem-se que inventar algo para torná-la atraente. Para muita gente, para muitos ministros ordenados, se não se improvisar, se não se mudar alguma fórmula em nome da criatividade, se não se inventar alguma moda, não se está celebrando de verdade!).
Deste fato decorre, conseqüentemente, que (...) cada comunidade queira dar-se uma própria liturgia. Mas, quando a liturgia é algo que cada um faz por si, então ela já não nos dá aquela que é a sua verdadeira qualidade: o encontro com o Mistério, que não é um produto nosso, mas a nossa origem e a fonte da nossa vida.

Para a vida da Igreja, é dramaticamente urgente uma renovação da consciência litúrgica, uma reconciliação litúrgica, que volte a reconhecer a unidade da história da liturgia e compreenda o Vaticano II não como ruptura, mas como momento evolutivo. Estou convencido que a crise eclesial na qual nos encontramos hoje depende em grande parte do desmantelamento da liturgia, que muitas vezes é concebida como se Deus não existisse, como se nela não importasse mais se Deus exista, se nos fala e nos escuta... Então, a comunidade celebra somente a si mesma, se quem isso valha mais a pena . – Do livro da Tag Tessore, Introduzione a Ratzinger (em português: Bento XVI, Ed. Claridade).

A LITURGIA: CENTRO DA VIDA MONÁSTICA.

Pe. Alberico Altermatt O. Cist.
Hauterive – Eschenbach

Segundo a Regra de nosso pai São Bento (nascido entre 560/575), o dia-a-dia monástico comporta essencialmente três ocupações: a oração (liturgia/ofício divino): a lectio divina e o trabalho. A Liturgia tem, na Regra de São Bento, um lugar de preferência. Entre 73 capítulos da Regra, conta-se 13 (de 8 a 20) que tratam exclusivamente da celebração da liturgia (ofício divino) – precisamente sobre a celebração da oração das Horas – e isto se faz nos mínimos detalhes. Como fundamento se põe este princípio: Portanto nada se anteponha ao Ofício Divino (nihil operi Dei praeponatur) (RB. – 3,3). De fato, é a Liturgia que dá ao dia-a-dia monástico sua estrutura e seu ritmo. Isto explica que se chegou a designar o monge/a monja como homo liturgicus.

O beneditino italiano Dom Giuseppe Anelli, num artigo sobre A vida monástica como existência teológica, escreve o seguinte: A vida monástica apareceu como um ato de adoração; o monge é “um ser que abre o seu coração para Deus” (Martin Buber, “que não se aparta do dever de amar a Deus” (Pascal) “que não se afasta do difícil Trabalho de ser cristão’ (Kierkegaard). Esta existência teológica do homem que vive na fé e pela graça, é necessariamente litúrgica e de louvor (serviço de devoção – RB.-18,24 o serviço a que eles se têm dedicado), é sua vocação específica. Sois tu, Senhor, que nos leva à alegria louvando-te porque tu nos conduziste a ti, pois nosso coração não descansa enquanto não encontrar repouso em ti (Sto. Agostinho, Confissões, 1.1,1).

A liturgia como manifestação autêntica da Igreja e da comunidade monástica.

Seria muito interessante agora pôr, cada um a si mesmo, a questão seguinte: O que é a liturgia? Temo que alguns não possam dar prontamente uma definição da liturgia que expresse verdadeiramente o essencial e que corresponda aos critérios atuais da teologia e da ciência litúrgica (porque a liturgia é, hoje em dia, uma verdadeira ciência!).

Por quê? Porque todos nós corremos o risco de fazermos talvez uma idéia demasiadamente limitada do que é a liturgia. Conservamos dela uma idéia demasiadamente reduzida (estética). Somos tentados facilmente em confundir a liturgia com o culto, com os ritos, as cerimônias. Mas isto é apenas um aspecto da liturgia! O movimento litúrgico do século XX e o Concílio Vaticano II (1962-65) compreenderam e definiram de uma maneira nova a natureza, o espírito e o significado da liturgia. A Constituição Sacrossantum Concilium (A sagrada Liturgia), promulgada no ano 1963, pode ser considerada como o documento mais belo e a mais completa doutrina que a Igreja já publicou sobre a liturgia em seus 2000 anos de história.

Definição da liturgia segundo a Constituição sobre a Liturgia.

O termo “liturgia” designa uma noção bastante rica e completa; por outro lado, não tinha sido adotado no Ocidente até o fim do século XVIII. De origem grega, a palavra “leitourgia” é formada pelos vocábulos laos / leiton = povo, e ergon ( em latim = opus) = obra de serviço. Pode ter outros significados: “obra pública”, obra do povo (genitivo subjetivo) ou também “obra para o povo” (genitivo objetivo). No terreno profano, “leitourgia” significava um serviço público, uma “prestação”; era também utilizado para uma celebração religiosa concernente a todo o povo. No uso bíblico (judaísmo helenístico, Setenta), o termo designava o culto e o serviço do tempo. Chegou a ser muito depressa, na tradição cristã, o termo próprio para a assembléia do serviço divino ou a celebração do serviço divino (na Igreja do oriente tem, atualmente, o sentido restrito e preciso de celebração eucarística).

No nº 7 da Constituição sobre a Liturgia, o Concílio Vaticano II descreve a liturgia como um diálogo, um intercâmbio vital entre Deus e o homem, como a uma ação sagrada (actio sacra) e como uma obra (exercício). Neste diálogo comunicativo, a iniciativa vem sempre de Deus: é Deus que se dirige ao homem, ou, como se diz em teologia, o aspecto de catábase, o aspecto soteriológico da liturgia. Em resumo, trata-se da santificação e da salvação do homem. Só depois vem a linha ascendente (de anábase, de latria): até o Concílio Vaticano II, esta linha foi muito acentuada e às vezes talvez ainda o seja. O aspecto de anábase ou de latria, é a liturgia enquanto louvor, intercessão, celebração, enfim, como glorificação de Deus. Mas é preciso, para começar, a “descida” de Deus (catábase), para permitir a “subida” do homem (anábase). Em outros termos: antes que o homem faça alguma coisa para Deus, é Deus quem faz algo pelo homem. A liturgia, nesta perspectiva nova e mais universal, é a Obra de Deus (em latim Opus Dei) no homem, para o homem (genitivo subjetivo) e a Obra do homem para Deus (em latim Opus Dei, mas desta vez compreendida como genitivo objetivo).

A primeira iniciativa na obra: o diálogo da salvação vem sempre de Deus (1). A intervenção salvadora de Deus desperta no homem um eco. O homem é tocado por este e esta experiência o vincula novamente a seus irmãos (2). Beneficiados todos os homens pela salvação de Deus, eles respondem por meio do louvor e da ação de graças (3). Nós reencontramos esta dinâmica e esta concatenação nos três tios de textos constitutivos da liturgia:

• Leituras: Deus se dirige ao homem em sua palavra (1)

• Cantos Reação do povo tocado pela Palavra (2)

• Orações Resposta de louvor, ação de graças, adoração (3)

Estas duas orientações complementares da liturgia: linha descendente (santificação do homem) e linha ascendente (glorificação de Deus) pertencem, depois do último Concílio, à definição fundamental da Liturgia, que se descreve, no nº. 7 da Sacrossanctum Concilium (sobre A Sagrada Liturgia), deste modo: A liturgia é o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo, exercício no qual a santificação do homem (linha descendente) está significada por alguns sinais sensíveis e se realiza de uma maneira própria em cada um deles, na qual o culto público integral (linha ascendente) é exercida pelo Corpo místico de Jesus Cristo, ou seja, pela Cabeça e pelos membros.

Em conseqüência, toda celebração litúrgica, enquanto obra (opus) de Cristo sacerdote e de seu Corpo que é a Igreja, é a ação sagrada (actio sacra) por excelência, da qual nenhuma outra ação (actio) da Igreja pode esperar a eficácia com o mesmo título nem no mesmo grau (n.º7).

Na Liturgia das Horas, a Igreja, exercendo “sem cessar” (1 Ts 5,17) a função sacerdotal de sua Cabeça, oferece a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que glorificam seu nome (cf. Hb 13,15)(IGLH n° 15).

A obra da salvação realizada por Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, é o fundamento e a fonte da liturgia. Sem dúvida, a liturgia é o cume a que tende a ação da Igreja, e ao mesmo tempo, a fonte donde procede toda sua força (SC 10).

A liturgia e seu lugar central na Regra de São Bento.

S. Bento utiliza, para a liturgia, deferentes termos e por isso vemos que, na Regra de São Bento, quase unicamente é a liturgia das horas (liturgia horarum) que entra em questão, já que a celebração diária da Eucaristia, porém, não era conhecida.

OBS.: Se aceita historicamente que o monaquismo primitivo e os mosteiros do tempo de São Bento não conheciam a celebração diária da Missa. A Eucaristia só era celebrada no Domingo. Durante a semana, uma curta cerimônia de Comunhão acontecia logo depois da Sexta: o Abade distribuía aos monges o Corpo e o Sangue de Cristo. A Missa conventual diária foi introduzida nos mosteiros na época carolíngia (clericalização do monaquismo). No ano 1000, essa prática já era corrente e os primeiros Cistercienses não se atreveram romper esta tradição.

O termo opus Dei, que São Bento recebeu da tradição patrística, tem um duplo conteúdo:

a) A obra (o serviço) que Deus realiza no homem, para o homem (genitivo subjetivo);

b) A obra (o serviço) que o homem dirige para Deus, diante de Deus (genitivo objetivo).

É deste modo que o termo opus Dei corresponde exatamente à dupla orientação da liturgia, tal como a definiu o Concílio Vaticano II: a linha descendente (ação de Deus) e a linha ascendente (resposta e ação do homem). Na antiga tradição da Igreja, opus Dei designava o conjunto da liturgia e igualmente toda a existência cristã e monástica que tem seu centro unificador na oração e no louvor de Deus. Infelizmente, com o tempo, o sentido do termo se restringiu até não designar mais que a liturgia das horas. Pelo contrário, nosso pai São Bento, na célebre máxima de RB 43,3: “Nada se anteponha ao Ofício Divino” (Nihil operi Dei praeponatur), compreende, entretanto, um opus Dei num sentido muito mais extenso e teológico.

domingo, 11 de julho de 2010

A Vocação Monástica

Se o Padre, de algum modo, pode ser definido pela necessidade que têm os outros homens de sua ação santificante no mundo, isso é menos evidente num monge.

Hoje, no dia de nosso pai S. Bento, resolvemos postar algo para esclarecer o que é a vida monástica na Igreja e para a Igreja e Jesus Cristo.

A vocação dá testemunho da infinita transcêndencia de Deus, porque proclama em face do mundo que Deus tem o direito de separar alguns homens para que eles possam viver somente para Ele.

A essência da vida monastica é justamente esse abandono do mundo e de todos os seus desejos, ambições e interesses, a fim de viver não só para Deus, mas de Deus e em Deus, e não por alguns anos, mas para sempre!

A graça que chama um homem para o mosteiro exige mais do que uma transposição material de ambiente. Não há vocação monástica autêntica que não implique, ao mesmo tempo, uma completa conversão interior.

A característica essencial de uma vocação monástica é que ela atrai o monge para a solidão, para uma vida de renúncia e de oração, para procurar só a Deus. Onde faltam esses traços, a vocação pode, sem dúvida, ser religiosa, mas não é propriamente monástica.

A conversão interior que constitui o monge mostra-se externamente por certos sinais: Obediência, Humildade, Silêncio, Desprendimento, Modéstia, que podem resumir-se numa só palavra: PAZ!

O mosteiro é uma casa de Deus, por conseguinte, um santuário da paz. A vida monástica arde diante de Deus invisível como uma lâmpada defronte do tabernáculo. A mecha da Lâmpada é a fé, a chama é a caridade,e o óleo que alimenta a chama, é o sacrifício de si mesmo.

De todas as ordens religiosas, as ordens monásticas são as que possuem as mais antigas e monumentais tradições. Ser chamado a vida monástica é ser chamado a uma forma de santidade, enraizada na sabedoria de um distante passado e no entanto, viva e jovem.

Poderiamos melhor compreender a beleza da vocação religiosa se nos lembrássemos de que o casamento, é também vocação. A vida religiosa é uma forma especial de santidade, reservada comparativamente a poucos.

O caminho ordinário de santidade e de plenitude da vida cristã é o casamento. É no estado conjugal que em sua maioria os homens e as mulheres se tornarão santos. Os pais cristãos, se são fiéis as suas obrigações, cumprirão uma missão tão grande quanto consoladora: a de trazer ao mundo e formar almas jovens, capazes de felicidade e de amor, almas capazes de santificação e de transformação em Cristo.

Deus quis que em todas as vocações se manifestasse o seu amor no mundo. A diferença entre as vocações reside na diversidade dos meios que cada uma dá aos homens para descobrir o amor de Deus. Cada vocação tem por objetivo propagar a vida divina no mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Melhores momentos do Noviciado NJ


"Revesti-vos da armadura de Deus"

O demônio ao rebelar-se contra Deus, também se rebelou contra toda a criação de Deus. Satanás odeia a tudo e a todos (cf. Ap 12, 13-18). Ele não é senhor dos seus impulsos, é arrastado pelas suas paixões, mesmo que quisesse não poderia parar de atormentar o ser humano, imagem e semelhança de Deus.

Há duas formas da atividade demoníaca: ordinária (tentação) e a extraordinária (infestação e possessão). Parece-nos indispensável dar aqui os meios que temos para fazer face às investidas diabólicas. No entanto, nos deteremos no que diz respeito à tentação, pois todos já passamos por ela.

O homem não está desarmado na luta contra o poder das trevas. Ele dispõe de armas sobrenaturais e também naturais com que enfrentar as investidas diabólicas (cf. Ef 6, 10-18; Is 11, 4-5; Sb 5, 15-23). A oração, as boas obras, a vida espiritual é o que nos protege como uma armadura, uma couraça, dos ataques do Maligno (cf. Mt 6, 13; 26, 41).

1. A armadura do cristão

Aos que estiverem revestidos de Cristo são dadas as armas da luz para combaterem o demônio em nome de Jesus (cf. Rm 13,12). E quais são essas armas da luz?

• “Fortalecei-vos no Senhor”

Práticas religiosas e devocionais

o Oração e penitência

o Sacramentos e sacramentais

o Evitar toda superstição, refrear a vã curiosidade

Existe uma classe de pessoas que o demônio odeia mais que qualquer outra. A Igreja conta em seu cenário com cardeais, arcebispos, pastores de todo tipo, teólogos, pessoas dedicadas à caridade, missionários etc. Mas aqueles que o demônio mais odeia são os ascetas. Por quê? Ele sabe muito bem que a ascese é uma força poderosíssima, é a força da Cruz, e a força da cruz quebra sua influência neste mundo.



• “O cinto da verdade”

A primeira e mais sutil tática do demônio contra o cristão é aquela de fazer com que sua vida seja uma mentira viva. Foi o que ele fez com Eva, quando a levou a duvidar de Deus. O demônio é o pai da mentira (cf. Jo 8, 44).



• “Couraça da justiça”

Na Bíblia a justiça de alguém significa que aquela pessoa é alguém fiel a Deus, que pratica os mandamentos, cumpre perfeitamente a Lei – mesmo que para isso tenha que desobedecê-la (cf. Mt 1, 19; Sl 1). Ser justo é ser santo. Santidade é um atributo exclusivo de Deus, Ele é O Santo, no entanto, no Cristo, fomos nós santificados pelo seu sangue. O demônio foge de uma alma que brilha de santidade.



• “O escudo da fé”

Sem a fé o diabo nos vence facilmente, pois ele é muito mais inteligente que nós e contra ele não podemos fazer nada. A fé provoca medo nele e o faz tremer (cf. 1Jo 5, 4). Ele sabe que a fé em Jesus Cristo significa a sua destruição definitiva. No entanto, tomemos cuidado de não colocar nossa fé em nós mesmos, mas única e exclusivamente na pessoa de Jesus (cf. 2Tm 1, 12).



• “Capacete da salvação”

O capacete para o cristão é a convicção de que Jesus é o seu verdadeiro salvador. Muitos dizem isso, mas poucos o vivem. A verdadeira liberdade não depende apenas do arrependimento dos pecados, mas também de uma verdadeira e contínua conversão (cf. Mt 7, 21; Rm 10, 13).

• “A espada do Espírito”

O cristão ataca o demônio com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus o assusta sobremaneira e, às vezes, ele também a distorce para confundir, mas, finalmente, a Palavra se volta contra ele (cf. Mt 4, 1-11; Lc 4, 1-13). A Palavra é uma espada que destrói a obra de Satanás, porque é criadora e salvadora (Hb 4, 12a; Ap 19, 15).



2. Concluindo

Muitos crêem numa religiosidade mágica – uma oração, uma bênção – e tudo volta ao seu lugar. Entretanto, a armadura que São Paulo fala significa conversão, uma mentalidade nova a respeito dos valores humanos e cristãos, uma jornada contínua na direção de Cristo.

Não é o bastante você carregar uma medalha ou uma cruz pendurada no pescoço; e também não é o suficiente você parar com as visitas aos adivinhos e cartomantes. Isso é muito importante, mas acima de tudo, a renovação da mentalidade e do coração é ainda mais importante (cf. Rm 12, 2). A santidade é o que causa mais terror no demônio!