sábado, 21 de agosto de 2010

Empecilhos para a cura

O QUE IMPEDE A GRAÇA DE DEUS ACONTECER?

O que seria uma barreira para Deus não agir? Então é isso que nós queremos hoje refletir nessa palestra: Os preconceitos, os empecilhos, as barreiras contra a cura.
Antes, é importante que se fale de pontos que geram confusão no entendimento da ação de Deus entre nós.

1. Deus não nos cura porque não quer nos salvar
Quando nós dizemos que Deus não quer nos salvar estamos enganados. Isso é uma barreia para a cura acontecer (Is 53, 4; 1 Pd 2, 24s).

2. O pecado é para a glória de Deus
A nossa luta contra o pecado, é ela que vai expressar a glória de Deus e não o nosso pecado.

3. Ficar acomodado com o pecado
Nós não devemos ficar acomodados com o nosso pecado, nem com a nossa doença, ou seja, se eu adoeço não posso ficar acomodado com a minha doença, tenho que procurar a cura. Da mesma forma também não posso descuidar da minha saúde.

4. Achar que os prodígios são coisas do tempo apostólico
A nossa Igreja é carismática. Só podemos dizer que as curas e os milagres são do passado, no dia em que a Igreja não existir mais. O Espírito Santo age aqui e agora.



ATITUDE DO MINISTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO.

Da mesma forma que não devemos tolerar o pecado, também não devemos tolerar as doenças. Aceitar a doença é uma coisa, querer a doença é outra coisa. A doença é um mal. Deus não quer o mal do ser humano. Ao visitar um doente, ou quando também nós estivermos doentes, não devemos logo pedir a cura, mas questionar como permanecer fiel mesmo na doença. E a partir disso, orar. O fato de não pedir logo a cura não é que você não queira, mas você deve demonstrar primeiro um ato de fé, porque sem fé não se pode ser curado.
Existe uma relação estreita entre cura e salvação. A cura é um sinal de que Deus salva o ser humano (Cf. Is 53, 4). Para isso analisemos estes dois textos bíblicos:

 “Porque, se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Rm 19, 9);

 “Em todos os lugares onde [Jesus] entrava, nos povoados, nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças, rogando, que lhes permitisse ao menos tocar na orla do seu manto. E todos os que o tocavam eram salvos” (Mc 6, 56).

OBS.: Nos dois trechos, embora falando de realidades totalmente diferentes, – a primeira da salvação eterna, a segunda de uma cura física – as palavras gregas utilizadas são derivadas do mesmo verbo(salvar).

ATITUDES NEGATIVAS RELATIVAS À ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO


 Confundir oração de cura e libertação com curandeirismo;

 Desconfiar da graça de Deus;

 Não se preparar pela vigilância e a oração;

 Achar que a doença é uma cruz dada por Deus;

 Achar que por ter fé não precisa ser curado;

 Pensar que só quem pode rezar é quem é santo;

 Dizer que não precisa rezar porque existe a ciência;

 Recusar recorrer à medicina;

 Viver em um ambiente averso a Deus.



MANDAMENTOS DA CURA


1. Crer que Deus quer me curar.

2. Confiar o amor de Jesus.

3. Entregar-se, abandonar-se à vontade Deus inteiramente.

4. Receber os sacramentos.

5. Orar freqüentemente uns pelos outros.

6. Não ter medo de impor as mãos.

7. Pedir perdão e perdoar também.

8. Orar pelos que o ofenderam.

9. Pedir a cura ao Pai em nome de Jesus ou diretamente a Jesus.

10. Pedir a intercessão poderosa da Virgem Maria, dos anjos e dos santos.

11. Crer a Palavra de Deus, independentemente do que pareça estar acontecendo.

12. Devemos louvar de agradecer freqüentemente para que a cura aconteça.

13. Devemos também nos apropriar das curas recebidas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Os Escritos Paulinos

1. PREFÁCIO

Acredito que nada melhor para escrever sobre a personalidade e a convicção desse grande apóstolo de Jesus, como uma autodescrição:

[Eu Saulo/Paulo] fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus; quanto à observância da Lei, fariseu; no tocante ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que vem da Lei, irrepreensível. Mas essas coisas, que eram ganho para mim, considerei-as prejuízo por causa de Cristo. Mas que isso, julgo que tudo é prejuízo diante deste bem supremo que é o conhecimento do Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. (Fl 3, 5-9a)

Com esse texto da carta aos filipenses, percebemos a sua consciência de que Deus o escolheu, não obstante às suas falhas, não acolheu esse chamado como privilégio, mas como grande responsabilidade com a qual não brincou ou perdeu tempo.
Graças a essa convicção da seriedade do seu apostolado, realizou grandes viagens, fundou comunidades, escreveu muitas cartas, deixando uma quantidade relativamente maior de material a seu respeito do que os outros apóstolos.

2. HISTORIOGRAFIA DO APÓSTOLO

Saulo nasceu em Tarso da Cilícia (At 9,11; 21,39; 22,3), entre os anos 5 e 10 da nossa era (Fm 9). Desde sua infância, foi instruído no farisaísmo, em Jerusalém, por Gamaliel, um grande rabi de sua época (At 22,3; At 26,5). Saulo é da tribo de Benjamim, sendo ainda, de cidadania romana (At 16,37; Fl 3,5).
Inicialmente, foi implacável perseguidor da Igreja nascente (At 22,4). Por volta do ano 35 dC, um grande acontecimento no caminho para Damasco (At 9,1-19a; 22,5-16; 26,12-18) transforma totalmente o rumo da vida deste homem de Deus. Antes, convicto de estar fazendo a vontade de Deus, mais ainda depois do encontro com o Cristo ressuscitado, tornou-se Arauto do mesmo Caminho que anteriormente suprimira com violência. Agora a violência era interior, de anunciar o Cristo do qual toma o título de Apóstolo – mesmo sendo um título dado quase que exclusivamente aos Doze –confirmado pelas palavras do próprio Jesus (At 22,21).
Na sua primeira missão apostólica ocorre no ano 40 – depois de ter subido à Jerusalém para apresentar-se a Pedro, no ano 37 – parte com Barnabé para Chipre, Panfília, Pisídia e Licaônia (At 13–14), quando passou dedicar-se exclusivamente aos pagãos e também adotou seu nome romano: Paulo. Surge, de seu apostolado entre os pagãos, um conflito de Paulo e seus companheiros, com os cristãos de origem judaica, conseqüentemente, com os Doze. Por esse motivo, aproximadamente, entre 48/49, em Jerusalém, é convocado o primeiro Concílio da Igreja, para tratar da obrigatoriedade, ou não, dos recém convertidos ao cristianismo, de origem pagã, de cumprirem a Lei de Moisés e fazerem-se circuncidados.
No ano seguinte (50-52), Paulo parte em sua segunda viagem (At 15,36–18,22) percorrendo e confirmando a fé das comunidades na Síria e a Cilícia (At 15,41). Depois prosseguiu por Derbe, Listra, – onde conheceu Timótio – Frígia, Galácia, Mísia, Trôade, Samotrácia, Neápolis, Filipos e outras cidades e regiões. Nessa mesma viagem, na cidade de Filipos, foi seu primeiro cárcere. A sua terceira viagem (At 18,23–21,17) foi entre os anos 53-58. Na festa de Pentecostes do ano 58, Paulo é preso no Templo, em Jerusalém, e depois transferido para Cesaréia (At 21,27–23,22), até que no outono de 60, o Procurador Festo o envia para Roma, permanecendo ali ainda dois anos, terminando nosso conhecimento bíblico da vida desse Apóstolo. O que temos depois disso são tradições a partir de suas cartas, das quais se pode conjecturar que foi à Espanha (1Cor 15, 24-25). Tais tradições nos dão a data do seu martírio no ano 64 ou 67.

3. ESCRITOS DO APÓSTOLO

As Epístolas paulinas são um verdadeiro legado deste Apóstolo de alma apaixonada e apaixonante. Não são tratados de teologia, mas respostas a situações. Entretanto não se deve diminuir seu valor de transmissão do “evangelho” de Paulo. Nelas podemos enxergar a entrega incondicional de um homem a Deus, que sabe ser seu único e verdadeiro bem (Fl 3,7). As suas cartas demonstram seus sentimentos a cada comunidade ou colaborador que escreve. Seja uma exortação dura (Gálatas), profundo agradecimento (Filipenses), grande decepção (Coríntios). A mensagem principal de sua pregação é o querigma, consistindo no Cristo morto e ressuscitado conforme as Escrituras (Gl 3,1). É o apóstolo dos gentios (Gl 1,16), na sua linha universalista.
Como dito anteriormente, seus escritos ocupam a maioria – entre próprios ou da “escola paulina” – do cânon do Novo Testamento, exatamente sete. Percebemos daí a importância desse Apóstolo para a consolidação da Doutrina da Igreja Primitiva.
No quadro abaixo, fica bem visível a diferença da ordem das cartas paulinas, entre o cânon da Bíblia e composição.

SEQUÊNCIA DO CÂNON

Epístola aos Romanos

I Epístola aos Coríntios

II Epístola aos Coríntios

Epístola aos Gálatas

Epístola aos Efésios

Epístola aos Filipenses

Epístola aos Colossenses

I Epístola aos Tessalonicenses

II Epístola aos Tessalonicenses

I Epístolas a Timóteo

II Epístola a Timóteo

Epístola a Tito

Epístola a Filêmon

SEQUÊNCIA CRONOLÓGICA

I Epístola aos Tessalonicenses

II Epístola aos Tessalonicenses

Epístola aos Filipenses

Epístola a Filêmon

I Epístola aos Coríntios

Epístola aos Gálatas

II Epístola aos Coríntios

Epístola aos Romanos

Epístola aos Colossenses

Epístola aos Efésios

I Epístola a Timóteo

II Epístola a Timóteo

Epístola a Tito


As cartas de Paulo dividem-se em autênticas e inautênticas, sendo que, dentro das autênticas, existem ainda as do cativeiro. Já as inautênticas, podem ser divididas em: pastorais e não-pastorais. Veja na tabela a seguir:

AUTÊNTICAS

CATIVEIRO                                  FORA DO CATIVEIRO

Fl                                                                                  

Fm                                                                           1 Ts

                                                                              Gl

                                                               1ª parte de Cor

                                                              2ª parte de Cor

                                                                               Rm

 
 
INAUTÊNTICAS

PASTORAIS                                          NÃO-PASTORAIS

1 Tm                                                                 Ef 

2 Tm                                                                 Cl  
´    Tt                                                                2 Ts 

As Epístolas chamadas autênticas são aquelas que entre os estudiosos não há dúvida de haverem sido escritas pelo próprio Paulo, ou ainda redigidas por um colaborador, sendo ditada pelo Apóstolo.
Em contraposição temos as inautênticas, assim chamada por sérias críticas relacionadas ao pensamento teológico, estilo, situação, por vezes, contradizentes às demais Epístolas paulinas, ou claras cópias.

Obs.: Iremos fazer as considerações relativas a cada carta seguindo a ordem cronológica e não a do cânon da Sagrada Escritura.


Autênticas

Primeira Epístola aos Tessalonicenses
A carta mais antiga de São Paulo é também o mais antigo escrito do Novo Testamento, estamos falando da Primeira Epístola aos Tessalonicenses. Composta no verão do ano 50 dC, na sua primeira estadia na cidade de Corinto. O impulso para escrever esta carta fôra as notícias trazidas por Timóteo, enviado por Paulo de Atenas (At 17, 1-9). A carta contém orientações pastorais para a consolidação da fé na recém nascida comunidade. O conteúdo principal da carta é: Exortação à vida santa; A esperança dos cristãos; Instruções sobre a parusia de Cristo; Instruções para a vida em comunidade.

Segunda Epístola aos Tessalonicenses
Foi redigida, seguindo estritamente o modelo da Primeira, até mesmo em locuções menos importantes. Sendo a situação epistolar a mesma, se a mesma fosse autêntica, devia ter sido escrito imediatamente após a Primeira, por volta do ano 50 dC. Alguns conjecturam que o próprio Apóstolo a escreveu a fim de corrigir certos mal-entendidos relacionados à parusia de Cristo, exposta na Primeira epístola

Epístola aos Filipenses (Veja mais a frente)

Epístola a Filêmon
Como já anteriormente foi apontada, esta Epístola, foi escrita enquanto Paulo estava em cativeiro na cidade de Éfeso (54/55 dC). Ainda que os Atos dos Apóstolos, nem as demais Epístolas próprias não mencionem explicitamente o lugar da detenção. A carta trata de um assunto muito pessoal. Nesta época a igreja de Colossas reunia-se em casa de Filêmon. Este tinha um escravo chamado Onésimo, que fugiu para dar assistência a Paulo no cárcere. Tendo batizado Onésimo, Paulo o envia de volta portando uma carta a seu senhor, agora como irmão na fé, recomendando que o recebesse sem castigo algum.

Primeira e Segunda Epístolas aos Coríntios
Há vários problemas a respeito da composição destas duas Epístolas. A respeito das Epístolas, temos certeza que, pelo menos, há cinco cartas “autênticas”. Durante a composição das duas Epístolas, ficaram misturadas:
I. “Pré-canônica” (Cf. 1Cor 5,9-13);
II. 1Cor, juntamente com uma carta, quando Paulo estava em Éfeso (Cf. 1Cor 1,11; 7,1);
III. A “carta em lágrimas” (Cf. 2Cor 2,3.4.9;7,8.12);
IV. 2Cor, em resposta às calúnias recebidas;
V. As cartas de solidariedade com os pobres de Jerusalém (Cf. 2Cor 8–9).
Os temas específicos da Primeira Epístola podem ser listados da seguinte maneira: divisões na comunidade, abusos gritantes, a vida do cristão no mundo, a vida a comunidade e a ressurreição de Cristo e a nossa.
Os da Segunda Epístola são: Desavenças e reconciliação com os coríntios; Sobre a coleta; Autodefesa do Apóstolo.

Epístola aos Gálatas
Esta Epístola foi escrita durante a atividade de Paulo em Éfeso e arredores, aproximadamente no ano 54 dC. O principal motivo desta carta foi porque pouco tempo depois da última estada de Paulo entre os gálatas, deram ouvidos a cristãos oriundos do judaísmo, que os quis impor a Lei de Moisés, a começar pela circuncisão. Na visão do Apóstolo, isso quedaria em um retrocesso na “fé agindo pela caridade” (Gl 5,6). Podemos extrair quatro temas principais desta Epístola: O único evangelho; A liberdade cristã; A fé agindo pelo amor; Os frutos do Espírito.

Epístola aos Romanos
Datada do ano 57/58 dC, durante sua terceira viagem missionária, quando ficou três meses na Grécia, mais especificamente na cidade de Corinto, antes de voltar para Jerusalém. Diferentemente das outras obras do Apóstolo, a Epístola aos Romanos não foi motivada por circunstâncias ou questionamentos das comunidades, mas é uma verdadeira “tese” teológico-pastoral. Alguns estudiosos consideram esta Epístola como um verdadeiro “Evangelho de Paulo”. O corpo temático específico da Epístola segue a seguinte seqüência: A fé em Jesus, o Cristo; A graça e a gratuidade; A justiça salvadora e libertadora; A universalidade da salvação.


Inautênticas


Epístola aos Colossenses
Esta Epístola deve se situar certo tempo depois das grandes cartas, provavelmente durante o cárcere em Cesaréia ou Roma (60 dC). Ela foi redigida por um colaborador de Paulo, que a assinou de próprio punho (4,18). Esta mesma Epístola é destinada também aos cristãos de Laodicéia, servindo assim depois como modelo para a Epístola aos Efésios. O intento provável da carta é proteger os fiéis das pessoas que ameaçam a simplicidade do Evangelho, com especulações cósmicas e prescrições ascéticas, bem ao estilo helenístico, misturado a elementos da tradição judaica. Temas específicos: A novidade em Cristo; Cristo, tudo em todos; A solidariedade intereclesial; Amor e justiça em casa.

Epístola aos Efésios
A Epístola aos Efésios é uma carta circular com destinação a comunidade da Ásia Menor, uma província romana que tinha como capital Éfeso. Entretanto, de carta ela só possui a forma, trata-se antes de uma verdadeira homilia. O autor inspirou-se na Epístola aos Colossenses, transformando-a em uma homilia, a fim de atingir um público mais amplo. A data provável de sua composição é em torno do ano 100 dC. Da mesma forma que a Epístola aos Colossenses, ela divide-se em duas grandes partes, sendo a primeira doutrinal e a segunda exortativa. Temas específicos: O Cristo glorioso, cósmico e eclesial; O “mistério de Cristo” e a salvação universal; Recapitular tudo em Cristo; Igreja e família; Ética para vivência no mundo em vez de “parusia já”.

Epístolas a Timóteo
Juntamente com a Epístola a Tito (a Epístola a Filêmon, por ser para uma pessoa em particular. Entretanto, foi escrita muito anteriormente), as Epístolas a Timóteo fazem parte do conjunto das chamadas “cartas pastorais”. Diferentemente das outras Epístolas, direcionadas a determinadas comunidades, estas são dirigidas a pessoas em particular, tratando de funções instituídas (bispos, presbíteros, diáconos, viúvas). Esta Epístola data, aproximadamente, dos primeiros decênios do século II dC. Temas específicos: Guardar o que foi confiado; A organização pastoral; Insistir oportuna e inoportunamente; A sã doutrina; Firmeza na Sagrada Escritura.

Epístola a Tito
Esta deve ser situada próxima à Primeira Epístola a Timóteo, pois têm muito em comum. Ela é a terceira das “cartas pastorais”. Tito era companheiro de Paulo na reunião com os Apóstolos em Jerusalém, sendo ele mesmo cristão oriundo do paganismo (Gl 2,1-3). A Epístola, semelhantemente a 1 Tm, contém traços mais pessoais em relação à função de Tito na cidade de Creta, onde foi bispo até sua morte (1,5). Esta Epístola data aproximadamente dos primeiros decênios do segundo século da era cristã. Temas específicos: A fé comum; A salvação; A manifestação da graça e do amor.

4. EPÍSTOLA ESPECÍFICA

Epístola aos Filipenses
Como anteriormente apontado, esta Epístola pertence ao conjunto de Epístolas chamadas “cartas do cativeiro”. Ela pressupõe um intercâmbio intenso de notícias e, portanto, uma relativa proximidade entre o lugar da prisão de Paulo e a residência dos destinatários, indicando dessa maneira sê-lo Éfeso, e não Roma ou Cesaréia. Ainda que o livro dos Atos dos Apóstolos não faça menção alguma a um cárcere de Paulo em Éfeso e as suas próprias Epístolas não falem explicitamente o lugar, contudo em 1 Cor 15,32 e 2 Cor 1,8s falam de uma perseguição e de um perigo mortal em Éfeso. O ano provável da composição da carta é 54/55 dC.
A autenticidade da Epístola foi contestada por alguns que enxergaram vários bilhetes inicialmente independentes, ou pelo menos dois (1,1–3,1 + 4,10-23 e 3,2–4,9). No entanto, a transição repentina de 3,1 para 3,2, pode ser explicada levando em conta a retomada de ditado ou de pensamento.
A Epístola aos Filipenses é dirigida aos fiéis da cidade de Filipos, a primeira comunidade fundada na Europa por Paulo, batizando pessoalmente muitos deles, enquanto estava em sua segunda viagem missionária, no ano 50 dC. Alguns dizem que esta é a comunidade favorita de Paulo. Na carta ele responde à curiosidade dos fiéis da comunidade a respeito do seu estado depois do que sofreu em Éfeso. O Apóstolo também agradece à ajuda cedida por eles, entregue por intermédio de Epafrodito. Aliás, esta é a única igreja que, tendo sido fundada por ele, aceitou mais de uma vez (4,15-16), ajuda material, seja ao partir da Macedônia ou no cativeiro.
Paulo também aproveita a carta para censurar falsos mestres, provavelmente cristãos vindos do judaísmo, que se infiltraram na comunidade eclesial. Sendo ele mesmo oriundo do judaísmo, considera tudo perda em comparação com a graça da fé, deixando-se dominar por Cristo (3,5-9). O Apóstolo começa com o tema da comunhão, o qual está do início ao fim da Epístola. Ele tem plena convicção que seu cativeiro servirá de instrumento para a ação de Deus, para a propagação do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Convida ainda os fiéis a perseverar no combate, pois a força vem de Deus (4,13). A Unidade deve ser mantida com toda a humildade a exemplo de Jesus (2,2-3.5-8).
O seguinte quadro ajuda a ter uma visão mais ampla do conteúdo da Epístola.


Tabela 4.1.
1, 1-11: Saudação e ação de graças
1, 12-26:
As dificuldades de Paulo 1, 27–2,18:
Exortação à comunidade 2, 19–3,1:
Projetos relacionados a Timóteo e Epafrodito 3,2–4,1:
Advertência contra os judaizantes 4, 2-20:
Exortações e agradecimentos
4, 21-23: Final

Temas mais caros à Epístola: Opção radical e identificação com Cristo; O; despojamento de Cristo; Alegria.


5. BIBLIOGRAFIA

• BÍBLIA SAGRADA Tradução da CNBB; 6ª Edição; Edições CNBB, Brasília-DF; Editora Canção Nova, São Paulo-SP, 2007.
• BÍBLIA DE JERUSALÉM; Editora Paulus, São Paulo-SP, 2004.
• A BÍBLIA TEB; Edições Loyola, São Paulo-SP; Paulinas, São Paulo-SP, 1996.
• BORNKAMM, G.; Paulo vida e obra; Tradução de Bertilo Brod; Editora Vozes, Petrópolis-RJ, 1992.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dia do Padre


Vocação
Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar

Deus pede aos sacerdotes a oblação de sua existência, da sua capacidade de amar. Sabe que pessoas Deus escolhe para a ordenação sacerdotal? Deus escolhe para serem ordenados homens que tenham duas vocações. A Igreja escolhe, porque vocação quem dá é Deus. Só Ele pode dar. Eles precisam ser chamados a ser padres e precisam com as suas vidas assegurar que são chamados a serem consagrados a Deus na oblação inteira do seu amor, o celibato.
Talvez o mundo se escandalize. Você pode pensar assim: 'Homens saudáveis poderiam ter família. Não poderiam também servir a Deus como casados?' Poderiam, mas não foi o chamado que Deus fez. Os sacerdotes não são incompletos por não se casarem. São inteiros e íntegros e felizes. Um padre ou diácono não são pessoas que abafam o seu coração e a sua capacidade de amar. Mas são homens que dilatam o seu coração na medida do coração de Jesus. Isso é ser celibatário.
Não são homens que reprimem sua capacidade de amar. Mas só dá para ser celibatário se forem capazes de amar mais do que todos os outros. Porque a medida que tem de existir no coração do padre é a medida do coração de Cristo. Nada menos.
Nosso Senhor lhes pede outra oblação. A oblação da sua liberdade. Eles são chamados a ser servidores, na pobreza.
O sacerdote também tem de viver a pobreza, a castidade e a obediência. Só pelo fato de serem ordenados eles já têm de ser modelos de pobreza, castidade e obediência, já dizia São Tomas de Aquino. Eles fazem essa entrega e uma forma linda para a qual o Senhor os chamou.
Nosso Senhor os faz servidores da Palavra, anunciadores do Evangelho. Nosso Senhor os faz servidores do Altar da Eucaristia e da caridade.
Vale a pena ser diácono, vale a pena ser padre, porque vale a pena seguir Jesus! Diácono, discípulos. E discípulos em nome d'Ele.
A vocação é essa expressão magnífica do amor de Deus por nós.
Trecho de homilia de Dom Alberto Taveira na ordenação diaconal do seminaristas da CN em 13 de janeiro de 2008

domingo, 18 de julho de 2010

A mais antiga oração à Virgem Mãe de Deus!


 “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”
Esta é a mais antiga oração à Virgem Maria que se conhece. A origem se deve ao especialista em papirologia Edgar Label , da Universidade de Oxford, que dedicou a sua vida ao estudo de papiros encontrados no Egito. Estes papiros, conservados pelo clima seco do Egito são fonte de grandes descobertas, servindo para datar muitos textos antigos que foram conservados em cópias e traduções.
Um destes papiros, descoberto próximo da antiga cidade egípcia de Oxirrinco (foto acima), continha uma oração à Virgem, que ainda hoje se utiliza em várias liturgias, e é o texto mais antigo que se conhece com uma oração litúrgica dedicada a ela, e usada na liturgia de Natal da Igreja Copta até hoje.
Conhecida como “Sub Tuum Praesidium”, é escrita em grego, e foi escrita aproximadamente no ano 250 depois de Cristo. Ainda hoje é utilizada no Rito Bizantino nas igrejas ortodoxas do leste e nas igrejas católicas do leste, como hino final das Vésperas na Quaresma.
Na versão eslava o hino é também utilizado fora da Quaresma, e se acrescentou uma invocação: Santa Mãe de Deus salvai-nos.
No Rito Latino, da Igreja Católica, é usada como Antífona do Nunc Dimitis (do Canto de Simeão) nas Completas do Pequeno Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria, e na Liturgia das Horas pode ser utilizada como Antífona Mariana ao final das Completas, fora do período da Páscoa.
A versão latina serviu de inspiração a muitos compositores, entre eles Antonio Salieri e Mozart.
Destaque-se o termo “Thetokos” (Mãe de Deus), que apesar de já ser utilizado nesta época do papiro ( 250da nossa era), só foi solenemente aceito no Concílio de Éfeso, dois séculos depois, contra o parecer de Nestório.
Impressiona que ainda hoje podemos orar com uma antiga oração dos primeiros cristãos dedicados à Virgem Maria, e seu texto recorda as perseguições da época, e por isso pede a proteção contra os perigos (em algumas línguas foi traduzido por “perseguições”, “tribulações”). É uma boa oração para rezarmos e nos lembrarmos dos que hoje são perseguidos por causa da fé, da justiça, etc.
Bibliografia: 

  • G. Giamberardini. “ Sub tuum praesidium” e il titulo Theotokos nellla tradizioni egiziana. En “ Marianum” 31( 1969) 350-351.

  • Stegmuller, O. “Sub Tuum Praesidium”. Bemerkungen zur altesten Uberlieferung. In “Zeitschrift fur kath. Teol.” 74(1952) 76-82 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vaticano II: ruptura ou continuidade?

Desenvolveu-se a impressão que a liturgia seja “feita”, que não seja algo que existe antes de nós, algo que nos é “dado”, mas que, ao invés, depende das nossas decisões (Observação: A observação de Ratzinger é perfeita. Hoje, entrou na consciência de muitas comunidades a idéia totalmente errada segundo a qual a liturgia é obra da nossa criatividade e tem-se que inventar algo para torná-la atraente. Para muita gente, para muitos ministros ordenados, se não se improvisar, se não se mudar alguma fórmula em nome da criatividade, se não se inventar alguma moda, não se está celebrando de verdade!).
Deste fato decorre, conseqüentemente, que (...) cada comunidade queira dar-se uma própria liturgia. Mas, quando a liturgia é algo que cada um faz por si, então ela já não nos dá aquela que é a sua verdadeira qualidade: o encontro com o Mistério, que não é um produto nosso, mas a nossa origem e a fonte da nossa vida.

Para a vida da Igreja, é dramaticamente urgente uma renovação da consciência litúrgica, uma reconciliação litúrgica, que volte a reconhecer a unidade da história da liturgia e compreenda o Vaticano II não como ruptura, mas como momento evolutivo. Estou convencido que a crise eclesial na qual nos encontramos hoje depende em grande parte do desmantelamento da liturgia, que muitas vezes é concebida como se Deus não existisse, como se nela não importasse mais se Deus exista, se nos fala e nos escuta... Então, a comunidade celebra somente a si mesma, se quem isso valha mais a pena . – Do livro da Tag Tessore, Introduzione a Ratzinger (em português: Bento XVI, Ed. Claridade).

A LITURGIA: CENTRO DA VIDA MONÁSTICA.

Pe. Alberico Altermatt O. Cist.
Hauterive – Eschenbach

Segundo a Regra de nosso pai São Bento (nascido entre 560/575), o dia-a-dia monástico comporta essencialmente três ocupações: a oração (liturgia/ofício divino): a lectio divina e o trabalho. A Liturgia tem, na Regra de São Bento, um lugar de preferência. Entre 73 capítulos da Regra, conta-se 13 (de 8 a 20) que tratam exclusivamente da celebração da liturgia (ofício divino) – precisamente sobre a celebração da oração das Horas – e isto se faz nos mínimos detalhes. Como fundamento se põe este princípio: Portanto nada se anteponha ao Ofício Divino (nihil operi Dei praeponatur) (RB. – 3,3). De fato, é a Liturgia que dá ao dia-a-dia monástico sua estrutura e seu ritmo. Isto explica que se chegou a designar o monge/a monja como homo liturgicus.

O beneditino italiano Dom Giuseppe Anelli, num artigo sobre A vida monástica como existência teológica, escreve o seguinte: A vida monástica apareceu como um ato de adoração; o monge é “um ser que abre o seu coração para Deus” (Martin Buber, “que não se aparta do dever de amar a Deus” (Pascal) “que não se afasta do difícil Trabalho de ser cristão’ (Kierkegaard). Esta existência teológica do homem que vive na fé e pela graça, é necessariamente litúrgica e de louvor (serviço de devoção – RB.-18,24 o serviço a que eles se têm dedicado), é sua vocação específica. Sois tu, Senhor, que nos leva à alegria louvando-te porque tu nos conduziste a ti, pois nosso coração não descansa enquanto não encontrar repouso em ti (Sto. Agostinho, Confissões, 1.1,1).

A liturgia como manifestação autêntica da Igreja e da comunidade monástica.

Seria muito interessante agora pôr, cada um a si mesmo, a questão seguinte: O que é a liturgia? Temo que alguns não possam dar prontamente uma definição da liturgia que expresse verdadeiramente o essencial e que corresponda aos critérios atuais da teologia e da ciência litúrgica (porque a liturgia é, hoje em dia, uma verdadeira ciência!).

Por quê? Porque todos nós corremos o risco de fazermos talvez uma idéia demasiadamente limitada do que é a liturgia. Conservamos dela uma idéia demasiadamente reduzida (estética). Somos tentados facilmente em confundir a liturgia com o culto, com os ritos, as cerimônias. Mas isto é apenas um aspecto da liturgia! O movimento litúrgico do século XX e o Concílio Vaticano II (1962-65) compreenderam e definiram de uma maneira nova a natureza, o espírito e o significado da liturgia. A Constituição Sacrossantum Concilium (A sagrada Liturgia), promulgada no ano 1963, pode ser considerada como o documento mais belo e a mais completa doutrina que a Igreja já publicou sobre a liturgia em seus 2000 anos de história.

Definição da liturgia segundo a Constituição sobre a Liturgia.

O termo “liturgia” designa uma noção bastante rica e completa; por outro lado, não tinha sido adotado no Ocidente até o fim do século XVIII. De origem grega, a palavra “leitourgia” é formada pelos vocábulos laos / leiton = povo, e ergon ( em latim = opus) = obra de serviço. Pode ter outros significados: “obra pública”, obra do povo (genitivo subjetivo) ou também “obra para o povo” (genitivo objetivo). No terreno profano, “leitourgia” significava um serviço público, uma “prestação”; era também utilizado para uma celebração religiosa concernente a todo o povo. No uso bíblico (judaísmo helenístico, Setenta), o termo designava o culto e o serviço do tempo. Chegou a ser muito depressa, na tradição cristã, o termo próprio para a assembléia do serviço divino ou a celebração do serviço divino (na Igreja do oriente tem, atualmente, o sentido restrito e preciso de celebração eucarística).

No nº 7 da Constituição sobre a Liturgia, o Concílio Vaticano II descreve a liturgia como um diálogo, um intercâmbio vital entre Deus e o homem, como a uma ação sagrada (actio sacra) e como uma obra (exercício). Neste diálogo comunicativo, a iniciativa vem sempre de Deus: é Deus que se dirige ao homem, ou, como se diz em teologia, o aspecto de catábase, o aspecto soteriológico da liturgia. Em resumo, trata-se da santificação e da salvação do homem. Só depois vem a linha ascendente (de anábase, de latria): até o Concílio Vaticano II, esta linha foi muito acentuada e às vezes talvez ainda o seja. O aspecto de anábase ou de latria, é a liturgia enquanto louvor, intercessão, celebração, enfim, como glorificação de Deus. Mas é preciso, para começar, a “descida” de Deus (catábase), para permitir a “subida” do homem (anábase). Em outros termos: antes que o homem faça alguma coisa para Deus, é Deus quem faz algo pelo homem. A liturgia, nesta perspectiva nova e mais universal, é a Obra de Deus (em latim Opus Dei) no homem, para o homem (genitivo subjetivo) e a Obra do homem para Deus (em latim Opus Dei, mas desta vez compreendida como genitivo objetivo).

A primeira iniciativa na obra: o diálogo da salvação vem sempre de Deus (1). A intervenção salvadora de Deus desperta no homem um eco. O homem é tocado por este e esta experiência o vincula novamente a seus irmãos (2). Beneficiados todos os homens pela salvação de Deus, eles respondem por meio do louvor e da ação de graças (3). Nós reencontramos esta dinâmica e esta concatenação nos três tios de textos constitutivos da liturgia:

• Leituras: Deus se dirige ao homem em sua palavra (1)

• Cantos Reação do povo tocado pela Palavra (2)

• Orações Resposta de louvor, ação de graças, adoração (3)

Estas duas orientações complementares da liturgia: linha descendente (santificação do homem) e linha ascendente (glorificação de Deus) pertencem, depois do último Concílio, à definição fundamental da Liturgia, que se descreve, no nº. 7 da Sacrossanctum Concilium (sobre A Sagrada Liturgia), deste modo: A liturgia é o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo, exercício no qual a santificação do homem (linha descendente) está significada por alguns sinais sensíveis e se realiza de uma maneira própria em cada um deles, na qual o culto público integral (linha ascendente) é exercida pelo Corpo místico de Jesus Cristo, ou seja, pela Cabeça e pelos membros.

Em conseqüência, toda celebração litúrgica, enquanto obra (opus) de Cristo sacerdote e de seu Corpo que é a Igreja, é a ação sagrada (actio sacra) por excelência, da qual nenhuma outra ação (actio) da Igreja pode esperar a eficácia com o mesmo título nem no mesmo grau (n.º7).

Na Liturgia das Horas, a Igreja, exercendo “sem cessar” (1 Ts 5,17) a função sacerdotal de sua Cabeça, oferece a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que glorificam seu nome (cf. Hb 13,15)(IGLH n° 15).

A obra da salvação realizada por Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, é o fundamento e a fonte da liturgia. Sem dúvida, a liturgia é o cume a que tende a ação da Igreja, e ao mesmo tempo, a fonte donde procede toda sua força (SC 10).

A liturgia e seu lugar central na Regra de São Bento.

S. Bento utiliza, para a liturgia, deferentes termos e por isso vemos que, na Regra de São Bento, quase unicamente é a liturgia das horas (liturgia horarum) que entra em questão, já que a celebração diária da Eucaristia, porém, não era conhecida.

OBS.: Se aceita historicamente que o monaquismo primitivo e os mosteiros do tempo de São Bento não conheciam a celebração diária da Missa. A Eucaristia só era celebrada no Domingo. Durante a semana, uma curta cerimônia de Comunhão acontecia logo depois da Sexta: o Abade distribuía aos monges o Corpo e o Sangue de Cristo. A Missa conventual diária foi introduzida nos mosteiros na época carolíngia (clericalização do monaquismo). No ano 1000, essa prática já era corrente e os primeiros Cistercienses não se atreveram romper esta tradição.

O termo opus Dei, que São Bento recebeu da tradição patrística, tem um duplo conteúdo:

a) A obra (o serviço) que Deus realiza no homem, para o homem (genitivo subjetivo);

b) A obra (o serviço) que o homem dirige para Deus, diante de Deus (genitivo objetivo).

É deste modo que o termo opus Dei corresponde exatamente à dupla orientação da liturgia, tal como a definiu o Concílio Vaticano II: a linha descendente (ação de Deus) e a linha ascendente (resposta e ação do homem). Na antiga tradição da Igreja, opus Dei designava o conjunto da liturgia e igualmente toda a existência cristã e monástica que tem seu centro unificador na oração e no louvor de Deus. Infelizmente, com o tempo, o sentido do termo se restringiu até não designar mais que a liturgia das horas. Pelo contrário, nosso pai São Bento, na célebre máxima de RB 43,3: “Nada se anteponha ao Ofício Divino” (Nihil operi Dei praeponatur), compreende, entretanto, um opus Dei num sentido muito mais extenso e teológico.

domingo, 11 de julho de 2010

A Vocação Monástica

Se o Padre, de algum modo, pode ser definido pela necessidade que têm os outros homens de sua ação santificante no mundo, isso é menos evidente num monge.

Hoje, no dia de nosso pai S. Bento, resolvemos postar algo para esclarecer o que é a vida monástica na Igreja e para a Igreja e Jesus Cristo.

A vocação dá testemunho da infinita transcêndencia de Deus, porque proclama em face do mundo que Deus tem o direito de separar alguns homens para que eles possam viver somente para Ele.

A essência da vida monastica é justamente esse abandono do mundo e de todos os seus desejos, ambições e interesses, a fim de viver não só para Deus, mas de Deus e em Deus, e não por alguns anos, mas para sempre!

A graça que chama um homem para o mosteiro exige mais do que uma transposição material de ambiente. Não há vocação monástica autêntica que não implique, ao mesmo tempo, uma completa conversão interior.

A característica essencial de uma vocação monástica é que ela atrai o monge para a solidão, para uma vida de renúncia e de oração, para procurar só a Deus. Onde faltam esses traços, a vocação pode, sem dúvida, ser religiosa, mas não é propriamente monástica.

A conversão interior que constitui o monge mostra-se externamente por certos sinais: Obediência, Humildade, Silêncio, Desprendimento, Modéstia, que podem resumir-se numa só palavra: PAZ!

O mosteiro é uma casa de Deus, por conseguinte, um santuário da paz. A vida monástica arde diante de Deus invisível como uma lâmpada defronte do tabernáculo. A mecha da Lâmpada é a fé, a chama é a caridade,e o óleo que alimenta a chama, é o sacrifício de si mesmo.

De todas as ordens religiosas, as ordens monásticas são as que possuem as mais antigas e monumentais tradições. Ser chamado a vida monástica é ser chamado a uma forma de santidade, enraizada na sabedoria de um distante passado e no entanto, viva e jovem.

Poderiamos melhor compreender a beleza da vocação religiosa se nos lembrássemos de que o casamento, é também vocação. A vida religiosa é uma forma especial de santidade, reservada comparativamente a poucos.

O caminho ordinário de santidade e de plenitude da vida cristã é o casamento. É no estado conjugal que em sua maioria os homens e as mulheres se tornarão santos. Os pais cristãos, se são fiéis as suas obrigações, cumprirão uma missão tão grande quanto consoladora: a de trazer ao mundo e formar almas jovens, capazes de felicidade e de amor, almas capazes de santificação e de transformação em Cristo.

Deus quis que em todas as vocações se manifestasse o seu amor no mundo. A diferença entre as vocações reside na diversidade dos meios que cada uma dá aos homens para descobrir o amor de Deus. Cada vocação tem por objetivo propagar a vida divina no mundo.